Cortejo - PM/07/11 20:07Apraz-me dizer o quão satisfeito fico pela capacidade de organização de eventos evidenciada nos últimos tempos em Carapeços. Desde que não apareça já alguém a apelidar os organizadores de mamões, como vem sendo hábito na nossa terra. Confesso no entanto que, neste caso em particular, o cortejo de peregrinos, provoca-me algum mau estar quando vejo o nome que lhe atribuiram: [i]"PEREGRINOS CÉLEBRES DE S. TIAGO" Porquê Peregrinos célebres???!!! Porque não só peregrinos??!! O peregino anónimo terá menos valor?! Não foi a nossa terra, e arredores, vivamente marcada por esse facto? Pelos milhares de peregrinos que noutros tempos atravessaram estas terras rumo a Santiago? Não eram na sua grande maioria peregrinos anónimos? Não será a eles que devemos grande parte dos costumes e características que possuimos hoje?
Sem pôr em causa o esforço das pessoas, confesso que não gosto minimamente da expressao [i]"Peregrinos célebres", porque me faz lembrar a arrogância e o caciquismo que reinaram no nosso País no tempo do estado novo, características bem vincadas na cultura de extrema direita...
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José Fernandes
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José Fernandes - AM/07/13 07:071º Eventos em Carapeços É óptimo que em Carapeços ainda haja pessoas que dispõem de tempo e de dinheiro para oferecer à comunidade. E nesse aspecto Carapeços é realmente rico: para além da actividade dita "normal" dos grupos que é muita e projecta Carapeços muito para lá dos limites da freguesia, tem havido acontecimentos importantes e interessantes. Recordo, por exemplo, o Pesadelo Rock e a corrida de carrinhos de rolamentos. 2º Mamões Geralmente critica quem não sabe ou não quer fazer. E só é criticado quem faz alguma coisa... Quem acha que alguém mama por fazer actividades para os outros, ou já enganou alguém ou muitos e ficou com o que não era dele e pensa que é toda a gente igual ou não faz a mínima ideia do esforço necessário para organizar actividades com alguma qualidade e o melhor era estar calado. Infelizmente, já me habituei a isto em Carapeços e felizmente, eu e muitos já não ligamos às críticas destrutivas que andam por aí e que, neste fórum, muitas vezes aparecem cobardemente debaixo do anonimato. 3º Peregrinos célebres Os livros de História estão cheios de acontecimentos. Vejamos, por exemplo, a batalha de Aljubarrota. Sabemos quem estava contra quem, podemos ter ouvido falar da Ala dos Namorados ou da padeira, mas há um nome que lhe está imediatamente associado: Nuno Álvares Pereira. Lutaram, de certeza, muitos soldados mas a História ignora o nome deles. Em relação às peregrinações a S. Tiago, há muitos estudos que referem as que foram feitas por pessoas célebres (e aqui célebre no sentido de famoso e ilustre - as tais pessoas que estão nos livros de História). Quando se pensou em abordar este tema poderíamos ter começado por referir outros aspectos como a situação dos albergues, os assaltos a que os peregrinos eram frequentemente sujeitos, etc. Provavelmente, poderão vir a ser abordados mais tarde se esta iniciativa correr bem, mas entendemos que seria mais importante e pedagógico, de início, fazer um percurso ao longo dos séculos (vai haver dez quadros distintos), começando ainda antes da formação de Portugal. Entretanto, paralelamente, vai haver a recreação de um local de apoio a peregrinos com gente "menos célebre" e o TPC vai organizar uma representação da "Lenda do Galo" que, como se sabe, terá a ver com um peregrino anónimo de S. Tiago. A ideia que presidiu à organização deste cortejo, entretanto, já foi explicada publicamente no dia 3 de Julho. 4º Caciquismo? Por tudo isto, não me revejo nas palavras do Eduardo quando fala da memória da "arrogância e o caciquismo que reinaram no nosso País no tempo do estado novo, características bem vincadas na cultura de extrema direita..." Acho que não tem nada a ver uma coisa com a outra e parecem-me muito exageradas essas palavras. Pegando nelas, o que dirá de alguém que queira fazer um cortejo com "Personagens Célebres do Estado Novo"? A mim parece-me, muito modestamente, que a cultura em si não tem lado, nem esquerdo, nem direito, nem cima, nem baixo. Os nossos olhos e a nossa mente é que escolhem o lado em que se querem situar.
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Eduardo Andrade
Visitante
Eduardo Andrade - PM/07/13 20:07Sendo a humildade uma das qualidades que reconheço possuir, compete-me aqui e agora reconhecer o facto de não ter escolhido as melhores palavras quando adjectivei a ideia que transparece do evento. Confesso até que, dando razão ao Zé Fernandes, tal expressão foi influenciada precisamente pelo "lado que os meus olhos escolhem para ver". Importa no entanto referir que, o dito lado, não é obrigatóriamente político, pois nesse aspecto sei bem escolher a minha decisão conforme a representação, mas sim Social. Foi por isso que não concordei, e continua a fazer-me alguma comichão, com a ideia dos peregrinos célebres. E foi aí que usei o termo caciquismo porque, apesar de louvar o esforço das pessoas que têm feito com que este tipo de eventos seja uma realidade em Carapeços, sempre achei que havia uma enormissima dose de vaidade a alimentar a vontade destas pessoas. Não uma vaidade simples de quem vê o seu trabalho bem feito, mas a vaidade estúpida de quem, a partir daí se acha num patamar social superior. Confesso que imaginava que as pessoas eram outras, e confesso também que esse foi um dos factores que contribuiu para a minha discordância. No entanto, tal como escrevi num outro tópico, aposto que sei quem, no dia do evento, estará completamente inchado e fazendo questão de apanhar o melhor lugar na montra, tal como a indicação dos organizadores no folheto da última procissão dos passos, que se esquecia de mencionar o nome de quem tanto trabalhou e tantas chatices aguentou para que a mesma fosse uma realidade. E quem tanto se chateou por o seu nome não constar na lista de elementos que compunham a comissão toponímica. Depois deste desabafo, que acredito piamente ter entendido, deixe que me refira ao fundamento da discussão. Se este é um projecto para várias edições, por algum dos tópicos se deveria pegar para levar a cabo a primeira. Nunca tal me passou pela cabeça e, olhando para o evento como uma edição isolada, tal como disse acima, pareceu-me um pouco descabida a frase pois, os grandes responsáveis por muitos dos nossos costumes, sendo os peregrinos a Santiago, seriam com certeza os peregrinos comuns, e esses sim, mereceriam a nossa homenagem...
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um qualquer
Visitante
um qualquer - AM/07/15 09:07ó Eduardo, tu tás muito perto da verdade, estes gajos por terem algum dinheiro pensam que sabem fazer tudo! eles é que sabem quem foram as figuras célebres que passaram por aqui? leram 1 ou 2 livros e agora acham-se setentores da verdade? isto é tudo para promover o nosso querido presidente da câmara Fernando Reis, andam a dizer que ele deu 1000 contos para o desfile. háhahahah. o dinheiro não é dele. É NOSSO, HOUVIRAM NOSSO. do povo. que gente mais parola que existe em Carapeços. é não são discursos intelectuais que fazem distorcer a verdade!! tou contigo Eduardo, nesta cruzada contra o parolismo dos partidos.
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Helder
Visitante
Helder - PM/07/18 18:07Quando surgiu a notícia da realização do cortejo dos peregrinos de Santiago, penso que foi de forma unânime a satisfação das pessoas por um evento desta dimensão a efectuar na nossa freguesia. Para além de retratar os hábitos e costumes dos nossos antepassados, logo implicitamente revelador de cariz cultural, o que enriquece cada um de nós em particular e prestigia as nossas gentes. A iniciativa promovida, impulsionada e apoiada, pelo grande benemérito da nossa freguesia Drº Adalberto Neiva de Oliveira, contém de facto em termos culturais uma riqueza que ninguém ousa questionar. No entanto, entristece-me que, algumas pessoas que foram convidadas pela comissão de festas para colaborar na sua realização, se aproveitem da “genuinidade” das pessoas e à socapa do acontecimento tentem tirar dividendos políticos. A hora é de eleições e como já estamos habituados, tudo serve para angariar mais uns votos. Felizmente, não estou isolado naquilo que tenho vindo a observar, (provavelmente alguns de vós ouviu a homilia do senhor padre Alcino na missa de Domingo).Isto é só uma simples observação, por isso subjectiva, o que permite porventura que alguém poderá questionar-me, para fundamentar com factos concretos. Eu digo, esperem pelo dia e depois direi alguma coisa. Acredito piedosamente na qualidade humana e estofo de princípios dalgumas pessoas que compõem a comissão organizadora. È nelas que reside a minha esperança de vir após o desfile, penitenciar-me, que afinal o acontecimento foi nobre e não transformado num desfile de vaidades, de pessoas ávidas de protagonismo.
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Eduardo Andrade
Visitante
Eduardo Andrade - AM/07/19 02:07Subscrevo...
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