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Mais uma vez, Barcelos está em festa com a tradicional “Festa das Cruzes”.
Como vem sendo hábito, atrai sempre muitas gente, quer do concelho quer
de outros locais do país e mesmo do estrangeiro (em especial
túristas Galegos – Espanha) . Este ano a organização do evento destaca
como maior atracção a Batalha das Flores.
Tráta-se da recuperação de uma antiga tradição que já há dezessete
anos não constava do programa festivo. A cor e a beleza das flores que
irão ser atiradas à população por doze carros alegóricos de associações
e juntas de freguesia participantes no primeiro Domingo de festividade
(29 Abril), promete atrair muitos festivos à cidade. Este cortejo terá
inico pelas 15.00h e terminará na Avenida da Liberdade. Para além deste
momento, a festa conta com muitos outros tais como acções desportivas,
sessões de fogo de artifício (quatro), encontro de Bandas de Música e
muito mais.
Pode consultar o programa aqui: Festa das Cruzes 2007
Lenda das Cruzes de Barcelos
No ano de 1504, vivam em Barcelos dois homens que
se odiavam: o sapateiro João Pires e o fidalgo D. Pedro Martins. João
Pires tinha uma filha, a Luisinha a quem o fidalgo, galanteador
incorrigível, perseguia constantemente com os seus galanteios. Um dia,
quando a jovem foi buscar água à fonte, D. Pedro Martins saiu-lhe ao
caminho e só a pronta intervenção do sapateiro evitou o pior... Duas
valentes bofetadas de João Pires ficaram marcadas no rosto do fidalgo,
como se tivessem sido impressas a fogo. A chacota do povo nos tempos
que se seguiram só veio acirrar ainda mais o desejo de vingança do
fidalgo contra o sapateiro e a sua filha.
Num
dia de grande tempestade, um barco vindo da Flandres naufragou na costa
de Esposende, perto de Barcelos. Quando as mulheres acorreram à praia
para recolher os despojos, Luisinha encontrou enterrado na areia um
pedaço de madeira que tinha um calor estranho e exalava um exótico
perfume. Chegada a casa lançou o bocado de madeira ao fogo e algo de
extraordinário aconteceu: a casa encheu-se de uma claridade estranha e
no solo de terra batida ficou desenhada uma cruz luminosa. Por mais que
se escavasse a terra naquele local onde a cruz luminosa se projectava,
a cova voltava a encher-se de terra. A notícia do milagre correu por
toda a cidade e a casa do sapateiro passou a ser um local de
peregrinação. Apenas o fidalgo, D. Pedro Martins não acreditou e acusou
o sapateiro e a filha de embusteiros e bruxos, afirmando que os dois
deveriam ser atirados à fogueira. Estas acusações ganharam cada vez
mais adeptos que acompanharam D. Pedro Martins até à porta do sapateiro
e, quando este se preparava para o acusar injustamente invocando o nome
de Deus, a mesma cruz luminosa apareceu. O fidalgo caiu humildemente de
joelhos e pediu perdão a Deus, depois ordens para que começasse a
construir um templo em acção de graças pelo milagre. Diz a lenda que as
marcas das mãos do sapateiro desapareceram-lhe do rosto naquele mesmo
momento. Foi este milagre que deu origem a uma ermida anterior à actual
igreja e também à famosa romaria da Feira das Cruzes de Barcelos.
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