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Repertório Musical: musica
e as respectivas letras
As músicas e as respectivas letras vão
ao encontro da preservação da música tradicional portuguesa, pois as letras
traduzem o trabalho árduo no campo da época salazarista. Convém também referir
que, a recolha das cantigas e danças genuínas de Carapeços deu-se junto das
pessoas mais antigas. Recolheram-se musicas como: o “Carro Canta”, a das
“Pombinhas da Catrina”, a da “Caninha Verde”, a da “Gota” e outras mais. O
reportório completo será de vinte e sete danças e quase todas têm a sua
história.
Apresentamos então de seguida, algumas delas, com as respectivas histórias e
letras.
“Pombinhas da
Catrína”
História:
Catarina de Alexandria era conhecida
como a princesa Mártir que tinha uma formosura inigualável. Foi sacrifiada toda
a vida por um Imperador que lhe matou a mãe e todas as pessoas de quem ela
gostava, e por fim, ela própria, teve uma morte horrível.
Anos
depois da sua morte, os milagres sucederam-se, a crença aumentou e construiu-se
uma Capela em seu louvor. É por isso também que o monte de Carapeços se chama
S. Catarina. E foi num dos lugares da freguesia “Capela” que nasceu a tão
cobiçada e linda dança e cantares das pombinhas da Catr’ina. Nota-se que a
Santa Catarina é considerada também a protectora do Rancho Folclórico de S.
Tiago de Carapeços.
Letra:
-----1----- As
pombinhos da catrina
Foram
correr Portugal
Coro: Vieram
para carapeços
Que
tinham lá o pombal
-----2----- As
pombinhos da Catrina
Já
tem um pombal novo
Coro: Foi
feito em Carapeços
Que
e a alegria do povo
-----3----- As
pombinhas da Catrina
Andaram
de vão em vão
Coro: Foram
dar a quinta nova
Ao
pombal Dão João
-----4----- As
pombinhas da Catrina
Foram
ao rio beber
Coro: Acharam
a água fria
Tornaram
a Recolher
-----5----- As
pombinhas da Catrina
Foram
dar a volta ao Minho
Coro: Vieram
para Carapeços
Porque
sabiam o caminho.
-----6----- As
pombinhas da catrina
Voam
de noite e dia
Coro: Tirar
o primeiro prémio
Cá
na nossa freguesia
-----7----- As
pombinhas da catrina
Ninguém
as tem se não nós
Coro: Criada
na nossa terra
No
tempo dos nossos avós
“O Regadinho”
História:
“O Regadinho” é a dança da roda, das prendas,
dos papelinhos, das cartas de amor, dos piropos, das birras, e por vezes das
caretas aos namorados. Nesta dança sempre que se trocava de par, o namorado
fazia uma prova de amor, de mão na mão uma aliança em ouro, um anel, ou até um
esmalte com a fotografia, eram prendas que sempre agradavam. Bilhetes escritos,
ou as cartas bem dobradinhas, para convidarem as raparigas a encontrarem-se com
eles, eram outras das prendas dadas. Assim era a dança do Regadinho.
Letra:
Água leva ao regadinho
Água leve vai regar
Enquanto rega e não rega
Ao meu amor, vou falar ( x3 )
Água leve ao regadinho
Água leve vai regar
Água leve ao regadinho
Pela margem do centeio
Enquanto rega e não rega
Vou ver se o amor já veio ( x3 )
Água leve ao regadinho
Pela margem do centeio
Água leve ao regadinho
Vai regar o Alecrim
Enquanto rega e não rega
Vou falar ao Joaquim ( x3 )
Água leva ao regadinho
Vai regar o Alecrim
Água leve ao Regadinho
Vai regar a quinta o norte
O namorar é um risco
O casar é uma sorte ( x3 )
Água leve ao regadinho
Vai regar a quinta a norte
Água leve ao regadinho
Água leve ao o regador
Enquanto rega e não rega
Vou falar ao meu amor ( x3 )
Água leva ao regadinho
Água leva ao regador
“A
gota”
História:
Esta música é toda ela dedicada ao
linho. Descreve todo o processo do linho, desde o mergulhar do linho á secagem:
o malhar do linho, o triturar no engenho, o espadelar, entre outras
actividades. Nota-se que este era um trabalho que obrigava cuidados delicados,
e por isso era feito pelas avós ou mães.
O
mesmo acontecia na dança, com a mestria a dedicação e a sábia experiência das
raparigas, ao mostrar o pezinho e a sua meia de linho rendilhada.
Letra:
Verso: Quem
quiser que eu cante a gota
Deia-me
vinho ou dinheiro
Que
esta gargantinha
Não
e fole de ferreiro
Coro: Ponha aqui o seu pezinho
Aqui
a beira do meu-o ( x 2 )
Ao
tirar o seu pezinho
Um
abraço lhe dou-o ( x 2 )
Verso: Vós
quereis que eu cante a gota
Eu
a gota não sei
De-me
uma pinga de vinho
Que
eu a gota cantarei
Coro: Ponha
aqui o seu pezinho
Aqui
a beira do meu-o ( x 2 )
Ao
tirar o seu pezinho
Um
abraço lhe dou-eu ( x2 )
Verso: Quem
quiser que eu cante a gota
De-me
uma pinga de vinho
O
vinho e coisa santa
Faz
o cantar delgadinho
Coro: Ponha
aqui o seu pezinho
Aqui
a beira do meu-o ( x 2 )
Ao
tirar o seu pezinho
Um
abraço lhe dou-eu ( x 2 )
“Pai do Ladrão”
História:
Esta musica conta a história de um
homem, o Zé do Telhado, que era conhecido como o Pai do Ladrão, que roubava os
ricos para dar aos pobres, e por isso o louvavam com cantares e danças.
É
nesta dança de joelhos no chão, ou de pé com a mão estendida que agradeciam o
bem que fazia aos pobres.
Zé do Telhado homem de bom coração,
alegria dos pobres e flagelo dos ricos, acabaria por ser preso na sua moradia junto
a um ribeiro em
Penafiel. Nota-se que ainda hoje é lembrado no Minho e Douro.
Letra:
O pai do ladrão,
Era bem bom homem
Quando vai para a missa
O TERIM-TIM-TIM
Se ha de rezar, come
Abaixo a cima
Joelho no chão ( x 2 )
Quem venceu a guerra
O terim-tim-tim
Pai do ladrão (
x 2 )
O pai do ladrão
Era labrador
Vendeu o heirado
O TERIM-TIM-TIM
Comprou um tambor
Abaixo a cima
Joelho no chão ( x 2 )
Quem venceu a guerra
O terim-tim-tim
Pai do ladrão ( x 2 )
O pai do ladrão
Era tamanqueiro
Fazia soquinhos
O TERIM-TIM-TIM
De pau de amieiro
Abaixo a cima
Joelho no chão ( x 2 )
Quem venceu a guerra
O terim-tim-tim
Pai do ladrão ( x 2 )
Actuações e acontecimentos significativos
Actuam normalmente em festas, convívios,
casamentos, e participam no cantar dos reis. Já passaram por varias regiões do
país desde as pequenas comunidades de Barcelos até Braga, Pombal, Cartaxo,
entre muitas outras. Actuaram também internacionalmente, Espanha.
Entrevista a membro do Rancho
Na entrevista feita a membros do
Rancho foram várias as respostas relativamente ao assunto questionado e
escolhido.
Estes
membros acham que a música tradicional pode continuar a ser preservada na nossa
sociedade através da sua divulgação nos média, através dos avós cantando as
músicas e as historias destas aos seus netos e a continuação da actuação dos
ranchos nas festas e romarias. Estes acham que o rancho tem um contributo
importantes para preservar a música tradicional portuguesa através dos seus
espectáculos e actuações por todo o país.
Estes
membros referem também que os instrumentos musicais que caracterizam a música
tradicional portuguesa são os instrumentos de corda, como por exemplo, o
cavaquinho, a viola, a guitarra portuguesa. Um outro instrumento também tradicional
é a concertina. Fazem questão de evidenciar que o rancho também tem estes
instrumentos, nomeadamente, a concertina, a viola e o cavaquinho.
Os
membros deste rancho acham que o maior defensor da música tradicional
portuguesa é o rancho, os mesmos dão também sugestões para que a preservação da
música tradicional portuguesa continue referindo, que os ranchos e os fadistas
devem continuar com os seus espectáculos para além das sugestões já referidas
anteriormente.
“No folclore nada se inventa nem
se compra, herdasse, e a nós cabe-nos preserva-lo”.
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