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Escrito por José Pernicas da Silva   
Quinta, 17 de Abril de 2008

Repertório Musical: musica e as respectivas letras

 

 

 

 


 

 

       As músicas e as respectivas letras vão ao encontro da preservação da música tradicional portuguesa, pois as letras traduzem o trabalho árduo no campo da época salazarista. Convém também referir que, a recolha das cantigas e danças genuínas de Carapeços deu-se junto das pessoas mais antigas. Recolheram-se musicas como: o “Carro Canta”, a das “Pombinhas da Catrina”, a da “Caninha Verde”, a da “Gota” e outras mais. O reportório completo será de vinte e sete danças e quase todas têm a sua história.


Apresentamos então de seguida, algumas delas, com as respectivas histórias e letras.

 

“Pombinhas da Catrína”


História:

 

        Catarina de Alexandria era conhecida como a princesa Mártir que tinha uma formosura inigualável. Foi sacrifiada toda a vida por um Imperador que lhe matou a mãe e todas as pessoas de quem ela gostava, e por fim, ela própria, teve uma morte horrível.

         Anos depois da sua morte, os milagres sucederam-se, a crença aumentou e construiu-se uma Capela em seu louvor. É por isso também que o monte de Carapeços se chama S. Catarina. E foi num dos lugares da freguesia “Capela” que nasceu a tão cobiçada e linda dança e cantares das pombinhas da Catr’ina. Nota-se que a Santa Catarina é considerada também a protectora do Rancho Folclórico de S. Tiago de Carapeços.

Letra:

 

-----1-----      As pombinhos da catrina

                                   Foram correr Portugal

 

Coro:              Vieram para carapeços

                       Que tinham lá o pombal

 

-----2-----      As pombinhos da Catrina

                       Já tem um pombal novo

 

Coro:              Foi feito em Carapeços

                       Que e a alegria do povo

 

-----3-----      As pombinhas da Catrina

                       Andaram de vão em vão

 

Coro:              Foram dar a quinta nova

                       Ao pombal Dão João

 

-----4-----      As pombinhas da Catrina

                       Foram ao rio beber

 

Coro:              Acharam a água fria

                       Tornaram a Recolher

 

-----5-----      As pombinhas da Catrina

                       Foram dar a volta ao Minho

 

Coro:              Vieram para Carapeços

                       Porque sabiam o caminho.

 

 

-----6-----      As pombinhas da catrina

                       Voam de noite e dia

 

Coro:              Tirar o primeiro prémio

                       Cá na nossa freguesia  

 

-----7-----      As pombinhas da catrina

                       Ninguém as tem se não nós

 

Coro:              Criada na nossa terra

                       No tempo dos nossos avós

 

“O Regadinho”

História:

 

       “O Regadinho” é a dança da roda, das prendas, dos papelinhos, das cartas de amor, dos piropos, das birras, e por vezes das caretas aos namorados. Nesta dança sempre que se trocava de par, o namorado fazia uma prova de amor, de mão na mão uma aliança em ouro, um anel, ou até um esmalte com a fotografia, eram prendas que sempre agradavam. Bilhetes escritos, ou as cartas bem dobradinhas, para convidarem as raparigas a encontrarem-se com eles, eram outras das prendas dadas. Assim era a dança do Regadinho.

 

Letra:

 

Água leva ao regadinho

Água leve vai regar

Enquanto rega e não rega

Ao meu amor, vou falar ( x3 )

Água leve ao regadinho

Água leve vai regar

 

Água leve ao regadinho

Pela margem do centeio

Enquanto rega e não rega

Vou ver se o amor já veio ( x3 )

Água leve ao regadinho

Pela margem do centeio

 

Água leve ao regadinho

Vai regar o Alecrim

Enquanto rega e não rega

Vou falar ao Joaquim ( x3 )

Água leva ao regadinho

Vai regar o Alecrim

 

Água leve ao Regadinho

Vai regar a quinta o norte

O namorar é um risco

O casar é uma sorte ( x3 )

Água leve ao regadinho

Vai regar a quinta a norte

 

Água leve ao regadinho

Água leve ao o regador

Enquanto rega e não rega

Vou falar ao meu amor ( x3 )

Água leva ao regadinho

Água leva ao regador

 

 “A gota”

História:


       Esta música é toda ela dedicada ao linho. Descreve todo o processo do linho, desde o mergulhar do linho á secagem: o malhar do linho, o triturar no engenho, o espadelar, entre outras actividades. Nota-se que este era um trabalho que obrigava cuidados delicados, e por isso era feito pelas avós ou mães.

      O mesmo acontecia na dança, com a mestria a dedicação e a sábia experiência das raparigas, ao mostrar o pezinho e a sua meia de linho rendilhada.

 

Letra:

 

Verso:            Quem quiser que eu cante a gota

                       Deia-me vinho ou dinheiro

                       Que esta gargantinha

                       Não e fole de ferreiro

 

 

Coro:              Ponha aqui o seu pezinho         

                       Aqui a beira do meu-o ( x 2 )

 

                       Ao tirar o seu pezinho

                       Um abraço lhe dou-o ( x 2 )    

 

 

Verso:            Vós quereis que eu cante a gota

                       Eu a gota não sei         

                       De-me uma pinga de vinho

                       Que eu a gota cantarei

 

 

Coro:              Ponha aqui o seu pezinho

                       Aqui a beira do meu-o ( x 2 )

 

                       Ao tirar o seu pezinho

                       Um abraço lhe dou-eu ( x2 )

 

 

Verso:            Quem quiser que eu cante a gota

                       De-me uma pinga de vinho

                       O vinho e coisa santa

                       Faz o cantar delgadinho

 

 

Coro:              Ponha aqui o seu pezinho

                       Aqui a beira do meu-o ( x 2 )  

 

                       Ao tirar o seu pezinho

                       Um abraço lhe dou-eu ( x 2 )

 

 

“Pai do Ladrão”


História:

 

         Esta musica conta a história de um homem, o Zé do Telhado, que era conhecido como o Pai do Ladrão, que roubava os ricos para dar aos pobres, e por isso o louvavam com cantares e danças.

         É nesta dança de joelhos no chão, ou de pé com a mão estendida que agradeciam o bem que fazia aos pobres.

         Zé do Telhado homem de bom coração, alegria dos pobres e flagelo dos ricos, acabaria por ser preso na sua moradia junto a um ribeiro em Penafiel. Nota-se que ainda hoje é lembrado no Minho e Douro.


Letra:

 

O pai do ladrão,

Era bem bom homem

Quando vai para a missa

O TERIM-TIM-TIM

Se ha de rezar, come

 

Abaixo a cima

Joelho no chão ( x 2 )

 

Quem venceu a guerra

O terim-tim-tim

Pai do ladrão  ( x 2 )

 

O pai do ladrão

Era labrador

Vendeu o heirado

O TERIM-TIM-TIM

Comprou um tambor

      

Abaixo a cima

Joelho no chão ( x 2 )

 

Quem venceu a guerra

O terim-tim-tim

Pai do ladrão ( x 2 )

 

 

O pai do ladrão

Era tamanqueiro

Fazia soquinhos

O TERIM-TIM-TIM

De pau de amieiro

 

Abaixo a cima

Joelho no chão ( x 2 )

 

Quem venceu a guerra

O terim-tim-tim

Pai do ladrão (  x 2 )

 

Actuações e acontecimentos significativos

       Actuam normalmente em festas, convívios, casamentos, e participam no cantar dos reis. Já passaram por varias regiões do país desde as pequenas comunidades de Barcelos até Braga, Pombal, Cartaxo, entre muitas outras. Actuaram também internacionalmente, Espanha.

Entrevista a membro do Rancho

          Na entrevista feita a membros do Rancho foram várias as respostas relativamente ao assunto questionado e escolhido.

            Estes membros acham que a música tradicional pode continuar a ser preservada na nossa sociedade através da sua divulgação nos média, através dos avós cantando as músicas e as historias destas aos seus netos e a continuação da actuação dos ranchos nas festas e romarias. Estes acham que o rancho tem um contributo importantes para preservar a música tradicional portuguesa através dos seus espectáculos e actuações por todo o país.

            Estes membros referem também que os instrumentos musicais que caracterizam a música tradicional portuguesa são os instrumentos de corda, como por exemplo, o cavaquinho, a viola, a guitarra portuguesa. Um outro instrumento também tradicional é a concertina. Fazem questão de evidenciar que o rancho também tem estes instrumentos, nomeadamente, a concertina, a viola e o cavaquinho.

            Os membros deste rancho acham que o maior defensor da música tradicional portuguesa é o rancho, os mesmos dão também sugestões para que a preservação da música tradicional portuguesa continue referindo, que os ranchos e os fadistas devem continuar com os seus espectáculos para além das sugestões já referidas anteriormente.

“No folclore nada se inventa nem se compra, herdasse, e a nós cabe-nos preserva-lo”.

 

 
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