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A Comissão Fabriqueira encetou estes dias o início de um peditório pela freguesia com vista à angariação de fundos para a execução da Capela Mortuária. O caso, no entanto, promete dar que falar uma vez que muitas vozes se levantam contra a atribuição desta competência ao orgão da igreja. Segundo se ouve pelas ruas da freguesia, a Junta terá, ao longo dos últimos tempos, feito contactos com a comissão fabriqueira de modo a que o espaço contíguo à igreja paroquial fosse cedido ao domínio público, comprometendo-se com a execução da obra e o encargo das despesas da sua execução. Porém, a resposta terá sido sempre negativa originando agora grande surpresa no orgão autárquico local esta tomada de atitude por parte da fabriqueira. É então aqui que as palavras e ideias começam a voar. Enquanto uns estão inteiramente a favor da situação que se verifica, outros não se conformam e explicam que este tipo de obras não deveria ser pago diretamente pela população, uma vez que cabe à junta de freguesia, financiada pela câmara municipal, a execução e financiamento das mesmas. Outras vozes mais radicais chegam mesmo a referir que já chega de explorar a fé do povo, levando-o a financiar a construção de obras que posteriormente ficarão legalmente registadas na posse da Igreja. Há, no entanto, uma ideia sensata que corre na freguesia contrariando a actual situação. Sendo a comissão fabriqueira a executar a obra, a mesma tratar-se-á obviamente de uma Capela mortuária e não uma casa mortuária. Assim sendo, terão no futuro os mesmos direitos de uso aqueles que se baseiem noutro tipo de fé que não a Cristã ou ainda os que simplesmente se recusam a adorar qualquer forma de crença religiosa? E se tiverem esse direito, sentir-se-ão à vontade para o fazer? Porque obviamente o espaço revelar-se-á de carisma religiosamente cristão e com certeza a decoração do mesmo obedecerá aos parâmetros impostos pela igreja. Não deveria esta ser uma infraestrutura meramente civil e completamente ímpio? Esperemos para ver no que dá...
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