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Perante uma sala repleta de gente âvida pelo consumo da cultura, o TPC levou ontem à cena a segunda representação do seu mais recente trabalho... A Maluquinha de Arroios. Uma comédia de costumes representada em três actos, da autoria de André Brun, "A Maluquinha de Arroios" havia sido já adaptada ao cinema pelas mãos de Henrique Campos em 1970 passando mais tarde e inúmeras vezes pela televisão, Também em palco, esta comédia experimentou já várias representações, sendo que a sua estreia data no ano de 1919, no teatro républica com Angela Pinto, Chaby Pinheiro e todos os outros "monstros sagrados" da idade de ouro do teatro Português, vindo mais tarde, nos anos sessenta a ser um exito enorme da grande actriz Mirita Casimiro, em Cascais. Também pelas mãos de Carlos Avilez (1977 e Helena Isabel no papel principal), e mais centemente à conta de Filipe La Féria, a obra se mostrou ao País inteiro. Desta forma, arrojado era o projecto do TPC, uma vez que sendo uma obra de tamanha complexidade, obviamente as dificuldades se acentuariam atendendo às limitações (nunca artísticas) da realidade doteatro Popular.
Pois a surpresa (terá sido?) foi geral. Em três actos, com três cenários distintos, com um elenco de luxo, porque nestas coisas do teatro todos sabemos que os anos trazem valor, o TPC deslumbrou uma enorme plateia com a qualidade da sua representação. Não só os principais personagens estiveram magníficos (saliente-se a adaptabilidade de Zé Martinho e a sensualidade natural de Cristina Arantes, bem aproveitados em prol do enriquecimento da peça), como até os pequenos pormenores que o público vai captando (repare-se nas expressões faciais de Natividade, aqui representada por Natália Fitas).
Obviamente, o argumento é excelente, assente numa enorme encruzilhada de vidas que parece não ter solução mas, só mesmo bons actores nos trazem óptimos sabores!
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