 Jorge
cruz foi sempre um apaixonado pelo futebol. No ano de 1967,
juntamente com o Chiquinho, o Pazôla e o Eusébio adquiriram um terreno
(arrendado) no monte da cachada (beloura ao lado, nome que algumas
pessoas mais velhas se recordam) para aí dar os primeiros
pontapés na bola, porém 3 anos a seguir deixou de existir. Pouco tempo
depois em 1969 vai voluntário para a tropa, e sete meses depois
já era um desertor, emigrou para França.
Como abandonou os amigos e o futebol
de uma forma inesperada, em terras francesas nunca deixou de
pensar nos amigos da bola que deixou para trás (sempre manteve
relações e contactos com os amigos do futebol). Regressou de vez
no ano 1985 determinado. Fez parte do grupo de pessoas que em 1988
fundaram ACDC, mas não fazendo parte da direcção, da qual passou a fazer parte apenas depois das primeiras
eleições livres em 1992. Voltou em 1998 e com ele a
Presidente fez aquilo que ninguém tinha feito até então, ACDC adquire
finalmente um terreno digno para se jogar
futebol.
Cargo: Presidente da ACDC, maior instituição da freguesia de Carapeços.
Nome completo: Jorge Cruz e Silva
Idade: 54 anos
Profissão: Empresário
CO. Jorge como homem do futebol virado para a ACDC ,sentes-te um pessoa realizada?
J.C. Sinto orgulho no que fiz, mas gostaria de poder ter feito mais.
CO. O que é hoje a instituição ACDC?
J.C.
A.C.D.C. é hoje uma grande instituição. Para além do
futebol sénior temos também futebol júnior e feminino. Todos a
participam no campeonato popular. Para além do futebol temos também uma
secção de teatro com créditos firmados.
C.O.
Actualmente qual o número de pessoas envolvidas neste grande
projecto (instituição ACDC), desde dirigentes, atletas, treinadores,
encenadores e actores de teatro?
J.C
Pelas minhas contas devemos ser cerca de 118 (cento e dezoito) pessoas
e como ficou provado no dia 16 de Dezembro na nossa
festa de Natal. Pela primeira vez na história da ACDC, a
Associação reuniu as pessoas que fazem parte de todas as
modalidades, é sem dúvida uma grande instituição!
CO. Quantos sócios tem ACDC?
J.C. Temos cerca de 600 sócios inscritos .
C.O. Qual o valor monetário que provém das cotas de sócios?
J.C. Cerca de 2500 euros uma vez não serem todos pagantes.
C.O. Qual é o valor que ACDC necessita para suportar todas as despesas durante uma época?
J.C A nossa despesa total anual ronda os 15000 euros
C.O. De onde vem todo esse dinheiro?
J.C. De sócios, publicidade, bar, ocupação do campo e ringue, sorteios, torneio de verão, e subsídios da Câmara de Barcelos,
para além de muitos donativos em equipamento, como exemplo
saliento toda a estrutura da iluminação do recinto de jogo, desde os
postes, cabos eléctricos, hólófotes, etc, só esta estrutura
, ultrapassaria o valor de 15 mil
euros.
C.O.
A participação nas taças inter-concelhias é algo muito dispendioso.
Qual a verba necessária para participar numa prova dessas?
J.C.
É uma prova dispendiosa, mas comparada com o ano passado, a ACDC tem
despendido muito menos devido à alteração do seu figurino.
Tenho aqui a salientar que na primeira deslocação que ACDC
fez esta época, o almoço foi pago com as multas dos cartões
amarelos dos atletas,(um regulamento interno criado pelos
próprios ) a segunda deslocação custou apenas 160 euros para o almoço
tendo a junta disponibilizando uma carrinha e alguns jogadores
fizeram-se deslocar com as suas próprias viaturas.
C.O. Sobre o campo de jogos, como está a decorrer a sua legalização?
J.C.
Está na mesma situação de à um anos atrás, neste
momento está em análise esperemos para breve a sua
aprovação.
C.O. Que mais é preciso fazer a curto prazo para ACDC?
J.C.
É precisamente no campo de jogos a principal prioridade, criar as
condições mínimas para quem vem ver os nossos jogos , precisamos
fazer uns WC públicos com urinóis, remodelar
todo o equipamento do Bar existente, rebocar todos os muros, e
pintar todas as instalações existentes.
C.O. Vais candidatar-te novamente?
J.C.
Tenho uma opinião formada sobre essa matéria mas só a divulgarei
publicamente depois de a transmitir à minha direcção.
C.O. Qual é o valor aproximado que ACDC tem de património, refiro-me concretamente a imóveis? J.C.
Neste momento toda gente sabe que o campo custou ACDC 10.000 contos
mais sisa e registos, a partir daí temos tido muitas ajudas em
material, equipamentos, aterros, piso (em parte pago pela
ACDC). Tudo isto é muito dinheiro a juntar ao valor da compra, está
estimado 20000.contos. C.O O peditório está concluído? J.C.
Não está concluído, uma vez ser sempre as mesmas pessoas para tudo!
Como todos os Domingos há futebol, só nos resta os sábados (mesmo assim
nem sempre). Vamos ver se recomeçamos para terminar a volta. C.O. A ACDC ainda te deve muito dinheiro? J.C. Neste momento após me terem pago algum já vindo do peditório, ainda me devem cerca de 15000 euros. C.O A claque do pesadelo amarelo deixou de existir queres comentar o porquê da sua extinção? J.C.
Tenho falado com elementos pertencentes a ela. A sua existência só nos
trouxe benefícios, foi com o dinheiro deles que pagamos várias
obras no campo , além de terem contribuído no plano desportivo
e de que maneira apoiando sempre a equipa, deve-se a
ela, “claque pesadelo amarelo” uma cota parte na
conquista tudo o que era possível para ganhar numa só época . Com
muita pena minha está mais para acabar de que para continuar. C.O Visto que é de futebol amador que se trata, quais os prémios que A.C.D.C. atribui aos seus atletas? J.C.
Os atletas da ACDC recebem no fim de cada jogo um sumo e
uma fêvera, mas isto só quando jogam em casa. Para além disso pagámos
um jantar na apresentação da época e outro no fina desta a todos
os atletas . C.O Qual a decisão o mais difícil de todo o tempo em que teve como dirigente da ACDC? J.C.
De vez em quando temos que tomar decisões para que se façam
as coisas avançar. A mais difícil de todas foi na altura da
construção do ringue da Areeira em que eu sempre defendi a construção
do ringue antes dos balneários (como acabou por acontecer), ao
contrário de quatro elementos da direcção (que comigo faziam parte) e
dois da junta (desse mesmo ano) que defendiam precisamente o
contrário. Eu mantive a minha decisão, e ainda bem, pois o ringue mesmo
sem balneário é certo! Foi possível realizar alguns eventos
nestes últimos quatro anos. C.O. Costumas visitar o Carapeços Online? O que achas do projecto? J.C.Visito com alguma frecuência , é uma excelente ideia
,quero aqui agradecer as todas as pessoas envolvidas neste projecto
pois para além de informar a gentes locais também leva a nossa
freguesia bem longe daqui com noticias, onde ACDC, está inserida,
parabéns.
O seu inicio
CO. Como começou a tua paixão pelo futebol mais concretamente virado para a tua terra?  JC.
Tudo começou tinha eu 16 anos. Certo dia ao abrir um jornal
verifiquei que o F.C. Porto recrutava jovens para as suas camadas
jovens e resolvi então tentar a minha sorte, metendo-me no comboio lá
me fui apresentar no estádio das Antas ( já tinha relógio
no pulso). Devido à minha falta de experiência, não me apresentei a
ninguém ficando ali à espera que me chamassem até que um senhor
(chamado Artur Baeta, treinador das camadas jovens) ao ver-me ali
aquele tempo todo resolveu perguntar-me o que estava ali fazer.
Foi quando lhe transmiti ao que vinha. Em resposta ele disse-me que o
treino tinha terminado, eram já 20h00 horas. Respondi de
imediato são 18h00 horas ao ver o meu relógio mas quando me dei
conta o relógio tinha parado, ( como vais para casa agora
?) perguntou-me o homem que eu acabara de conhecer (pois sabia que era
difícil arranjar comboio aquela hora tardia), foi simpático comigo. Uma
vez vir para a Póvoa de Varzim, deu-me boleia, lembro-me que na viagem
em conversa com ele lhe menti (para ver se tinha mais oportunidade de
singrar) ao dizer que já tinha treinado no Gil Vicente. Já na
Póvoa arranjou quem me trouxesse para Barcelos, de Barcelos para
Carapeços não me recorda como vim para casa, talvez a pé. Nesse mesmo
dia ficou combinado aparecer no próximo treino. No dia apareci a horas
e chegou a hora de eu mostrar o que sabia de bola. Entrei juntamente
com os outros jogadores numa peladinha, eu corria como os outros,
acompanhando as jogadas, mas a mim ninguém me passava a bola,
só ouvia uns a chamar pelos outros pelo nome: ó Quim!, ó Tone!;
apercebi-me logo que era um estranho no meio deles e desiludido.
Desisti vendo que não seria fácil singrar com um começo
daqueles. Começamos por entrar num torneio no
estádio do Gil Vicente ,decorriam na mesma altura as festas de Sº Tiago
em Carapeços e como era tradição naquela época não havia festa
sem se “dar porrada” nos forasteiros), dessa vez por azar nosso, quem
levou porrada foram pessoas de Arcozelo e sabendo da nossa participação
a desforra estava preparada para nós quando fosse-mos jogar o próximo
jogo. Com medo decidimos não mais aparecer no torneio e demos os nossos
cartões a jogadores de Campo que foram em nossoa vez. A
partir daí começou o futebol em Carapeços. Eu, o Pazóla e o Chiquinho
resolvemos falar com o Zé Cambões para nos arrendar o terreno no Monte
da Cachada, 1000 escudos foi a renda anual que nos comprometemos a
pagar. Naquela altura era muito dinheiro mas com a angariação de alguns
sócios (a cinco escudos cada um ) mantivemos o campo durante dois anos. Naquele
tempo para se arranjar uma bola em condições custava muito
dinheiro soubemos entretanto de uma que um emigrante em França tinha
trazido e estava na disposição de a vende,r 200 escudos era
o preço a pagar, compramos com muito custo, entretanto
começaram aparecer umas bolas mais baratas e lá continuamos com a
equipa até 1969, altura em que eu fui voluntário para a tropa e sete
meses depois desertei (“eh pá não gostava da tropa!”). Para ir
para França era preciso dinheiro e eu só tinha 700 escudos que não
davam para eu chegar a meio do caminho quanto mais chegar a
França ). Foi então quando eu recorri aos 800 escudos que eu tinha
guardado numa caixinha dos nossos sócios (já depois de ter-mos entregue
o campo fiquei com esse dinheiro guardado, 700+800 =1500 escudos para
chegar a Paris, agora imagine-se o resto pelo que passei. Lembro-me
de cá vir em tempo de desertor e em Barcelos eu e o Manuel do Rego
andar-nos com um jornal debaixo do braço para taparmos a cara quando
víamos alguém conhecido (punha-mos o jornal à frente, este tinha um
buraco para seguirmos as pessoas conhecidas pois tinha-mos medo de
sermos denunciados).
Muro de suporte ao Campo
Há
coisas marcantes no meu trajecto como dirigente, e na construção das
infra-estruturas do campo de jogos da ACDC, há uma delas que vale
a pena recordar... Lembro-me deste (bom) episódio:  Como
se sabia não havia dinheiro, e todas as ajudas eram benefícios.
As máquinas da Câmara eram uma ajuda de extrema importância, só que nem
sempre estavam disponíveis e quando estavam não dávam o rendimento
esperado. O tempo urgia o, campeonato estava a poucos meses do seu
inicio, e eu fazia questão que os nossos jogos começassem no
nosso recinto. Foi então que tive que tomar medidas , se não
viessem as máquinas até á quinta-qeira seguinte eu teria que
arranjar outras soluções. Foi o que aconteceu, as máquinas não
puderam vir e de seguida liguei ao Xavier Carvalho se me
facultava a sua máquina. Este não hesitou e disse-me: “ Arranja maneira de ires buscar a máquina á pedreira e na segunda feira quero-a de volta para trabalhar, fala ao meu filho Paulo para ver se ele te vai fazer o trabalho”.eu
já tinha falado com o Paulo que me tinha dito que fazia o muro num dia
e assim foi, o Paulo chegou ás 07:00 horas de sábado chegou
ao local, olhou para aquele pântano e disse: “ Jorge como te prometi não vou embora daqui, sem o muro ficar pronto!”,
eu não queria acreditar, o muro estava quase todo por fazer, tinha
apenas meia dúzia de “calhaus” e era enorme. Os trabalhos começaram a
um ritmo diabólico, o muro subia a um ritmo impressionante. Pedra sobre
pedra o muro crescia a olhos vistos: o maquinista viu que a
pedra estava a ficar muito distante da máquina e disse-me: “Presidente
vai arranjar uma máquina para me arrastar a pedra para junto de mim,
estou a perder muito tempo se for eu a ir buscá-la!”, os Deuses
estavam comigo, e a máquina não demorou. Uma hora
depois estava no local arrastar a pedra, o ritmo era
louco, o Carapeços nesse mesmo dia jogava em Creixomil ás
16:00horas, o Paulo virou-se para mim e disse:” “ Presidente ainda vamos ver o Carapeços a Creixomil!”.
Não acreditava, mas só falava quem tinha conhecimento do trabalho que
estava a fazer. Dito e feito, (até o resto da direcção ficou admirada)o
Paulo acabou o muro, foi a casa tomar banho e salvo erro, ainda
fomos ver toda a segunda parte do jogo! Foi assim que
foi feita esta obra com apenas um almoço pago
ao Paulo Rodrigues, e a sua mística pelo clube. Um paredão que
está à vista de todos, que se fosse feito pelos funcionários da Câmara,
poderia levar meses e meses a ser concluído, e quem saiu beneficiada
com uma coisas como esta foi a nossa ACDC da qual me orgulho de ser um
dos pilares principais desta grande
instituição.
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