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O Padre Alcino da Cunha Pereira, nasceu a 22 de Janeiro de 1928 na freguesia de Stª
Eulália de Arnoso (Famalicão). Fez os estudos primários,
básicos e secundários e, posteriormente, fez os estudos sacerdotais no Seminário
de Braga. Depois da sua ordenação foi paroquiar para a freguesia de Padronelo,
em Paredes de Coura, onde esteve durante dez anos. Seguidamente veio para as
nossas terras, onde ficou até aos dias de hoje.
Carapeços Online – Como chegou a Carapeços? Qual o seu percurso profissional ou vocacional
antes de chegar à nossa freguesia?
Padre Alcino – Recuando no tempo, tomei posse de Carapeços e de Stª Leocádia no dia 26
de Agosto de 1962. Anteriormente, após a instrução primária e os doze anos de
estudos no ensino secundário, médio e superior, ou seja, em Humanidades,
Filosofia e Teologia, sempre exerci actividades
pastorais, em Paredes de Coura e nestas freguesias do Vale do Tamel.
C.O. – Há quantos anos está em Carapeços? Como descreveria esta terra na altura
em que cá chegou? E agora, como caracteriza a freguesia actualmente?
P.A. – São já 44 anos de
permanência. Encontrei, então, uma terra parada no tempo,
como tantas, vivendo numa ruralidade de séculos, servida por péssimos
caminhos,
em nada deixando antever os tempo actuais. Além da estrada nacional
(acabada de
alcatroar) só havia dois sofríveis caminhos. Um ia até à igreja de Stª
Leocadia, o outro até ao lugar do Monte. Os demais, apertados,
tortuosos e
lamacentos serviam as pessoas e os carros de vacas. Grande parte dos
lugares,
sem bons acessos, permaneciam muito isolados. As estruturas paroquiais (igreja e residência) estavam antiquadas e em
degradação adiantada. Era ainda novo o edificio escolar do plano dos
centenários (Escola da Fariota).
Existiam algumas casas
principais, não muitas, e as casas de adventícios modernas e bem situadas,
fortemente contrastantes com as moradias dos naturais colocadas à volta.
Apenas se viam dois tractores agrícolas e uma máquina de carpintaria, que
marcaram a passagem de uma agricultura rotineira e tradicional para uma “era”
mais técnica e industrial, alcançada mais tarde.
Com meia dúzia de estudantes e poucos artistas e operários, predominavam os
propietários, rendeiros e jornaleiros. Gente muito trabalhadeira de pouca
instrução e educação compatível, sem classes. Todos viviam numa aceitável
mediania.
C.O. – A nível pessoal, quais os momentos mais marcantes desta estadia e
vivência em Carapeços? E a nível da freguesia, quais os momentos que
destacaria?
P.A. – Os que precederam e acompanharam a ampliação da igreja, da residência e
das restantes estruturas paroquiais. E, concomitantemente, a abertura da rede
viária a que se seguiu toda a transformação urbana (que ainda hoje está em
curso).
Houve
momentos de grande alegria, muito entusiasmo, forte determinação e grande
sacrifício. E também de raiva, frustração e desespero (bons para esquecer). O
livro “A igreja de Carapeços” de 1987, historía esses momentos.
C.O. – Nos últimos anos tem publicado alguns livros dedicados às freguesias de
Carapeços e de Tamel Santa Leocádia. O que distingue o último livro que editou
dos anteriores?
P.A. – Os três livros publicados, mais os sete opúsculos, que os precederam, são
subsídios para a história de Carapeços e de Stª Leocádia. O último, de 2005, “O
Património Religioso e Civil de Carapeços e Stª Leocádia” é um álbum-inventário
do património antigo e moderno para complementar os anteriores. Aproveitando os
novos recursos da técnica, pretende documentar fotograficamente o que resta do
património desaparecido, ou em vias de desaparecimento total, e registar para o
futuro o que temos de novo. Muitas fotos que mostra, estavam em risco de se
perderem . E são documentos válidos a preservar. Nos primeiros livros temos
documentação escrita do passado e notas pessoais transcritas e comentadas para
as tornar mais acessíveis aos mais novos e a todos os interessados, particularmente
dedicadas aos mais jovens. Importa que sejam lidos e discutidos por todos.
C.O. – Já tem projectos para futuras publicações?
P.A. – Se o tempo o permitir e a disposição não faltar, é provável a publicação
de outro livro sobre os recursos humanos destas freguesias, onde muito mais se
poderá fazer. O tempo o dirá!
C.O. – O que acha do projecto Carapeços Online? Costuma visitar?
P.A. – Procurarei visitar o site mais assiduamente na busca de novos dados para
a próxima publicação. Oxalá seja bem gerido e sirva posteriormente o futuro.
Está, sobremaneira, na mão dos mais jovens, a quem pertence construir um futuro
cada vez melhor.
O Carapeços
Online agradece a disponibilidade demonstrada pelo Revº Padre Alcino para
conceder esta entrevista. Trata-se, sem dúvida, de uma das pessoas que melhor
conhece a freguesia e, como tal, era importante conhecer a sua opinião sobre
alguns aspectos da nossa freguesia, bem como ficar a conhecê-lo um pouco
melhor. Pela colaboração prestada, o nosso “Muito Obrigado”. |