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Entrevista com o Padre Alcino criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Pedro Pereira   
Quarta, 08 de Fevereiro de 2006

Padre AlcinoO Padre Alcino da Cunha Pereira, nasceu a 22 de Janeiro de 1928 na freguesia de Stª Eulália de  Arnoso (Famalicão). Fez os estudos primários, básicos e secundários e, posteriormente, fez os estudos sacerdotais no Seminário de Braga. Depois da sua ordenação foi paroquiar para a freguesia de Padronelo, em Paredes de Coura, onde esteve durante dez anos. Seguidamente veio para as nossas terras, onde ficou até aos dias de hoje.



Carapeços Online – Como chegou a Carapeços? Qual o seu percurso profissional ou vocacional antes de chegar à nossa freguesia?

Padre Alcino – Recuando no tempo, tomei posse de Carapeços e de Stª Leocádia no dia 26 de Agosto de 1962. Anteriormente, após a instrução primária e os doze anos de estudos no ensino secundário, médio e superior, ou seja, em Humanidades, Filosofia e Teologia, sempre exerci actividades pastorais, em Paredes de Coura e nestas freguesias do Vale do Tamel. 

C.O. – Há quantos anos está em Carapeços? Como descreveria esta terra na altura em que cá chegou? E agora, como caracteriza a freguesia actualmente?

P.A. – São já 44 anos de permanência. Encontrei, então, uma terra parada no tempo, como tantas, vivendo numa ruralidade de séculos, servida por péssimos caminhos, em nada deixando antever os tempo actuais. Além da estrada nacional (acabada de alcatroar) só havia dois sofríveis caminhos. Um ia até à igreja de Stª Leocadia, o outro até ao lugar do Monte. Os demais,Igreja Paroquial apertados, tortuosos e lamacentos serviam as pessoas e os carros de vacas. Grande parte dos lugares, sem bons acessos, permaneciam muito isolados.  As estruturas paroquiais (igreja e residência) estavam antiquadas e em degradação adiantada. Era ainda novo o edificio escolar do plano dos centenários (Escola da Fariota).
Existiam algumas casas principais, não muitas, e as casas de adventícios modernas e bem situadas, fortemente contrastantes com as moradias dos naturais colocadas à volta.
 Apenas se viam dois tractores agrícolas e uma máquina de carpintaria, que marcaram a passagem de uma agricultura rotineira e tradicional para uma “era” mais técnica e industrial, alcançada mais tarde.
 Com meia dúzia de estudantes e poucos artistas e operários, predominavam os propietários, rendeiros e jornaleiros. Gente muito trabalhadeira de pouca instrução e educação compatível, sem classes. Todos viviam numa aceitável mediania.           


C.O.
– A nível pessoal, quais os momentos mais marcantes desta estadia e vivência em Carapeços? E a nível da freguesia, quais os momentos que destacaria?

P.A. – Os que precederam e acompanharam a ampliação da igreja, da residência e das restantes estruturas paroquiais. E, concomitantemente, a abertura da rede viária a que se seguiu toda a transformação urbana (que ainda hoje está em curso).
  Houve momentos de grande alegria, muito entusiasmo, forte determinação e grande sacrifício. E também de raiva, frustração e desespero (bons para esquecer). O livro “A igreja de Carapeços” de 1987, historía esses momentos. 

 
C.O.
– Nos últimos anos tem publicado alguns livros dedicados às freguesias de Carapeços e de Tamel Santa Leocádia. O que distingue o último livro que editou dos anteriores?

Último livro publicado P.A. – Os três livros publicados, mais os sete opúsculos, que os precederam, são subsídios para a história de Carapeços e de Stª Leocádia. O último, de 2005, “O Património Religioso e Civil de Carapeços e Stª Leocádia” é um álbum-inventário do património antigo e moderno para complementar os anteriores. Aproveitando os novos recursos da técnica, pretende documentar fotograficamente o que resta do património desaparecido, ou em vias de desaparecimento total, e registar para o futuro o que temos de novo. Muitas fotos que mostra, estavam em risco de se perderem . E são documentos válidos a preservar. Nos primeiros livros temos documentação escrita do passado e notas pessoais transcritas e comentadas para as tornar mais acessíveis aos mais novos e a todos os interessados, particularmente dedicadas aos mais jovens. Importa que sejam lidos e discutidos por todos.


C.O.
– Já tem projectos para futuras publicações?

P.A. – Se o tempo o permitir e a disposição não faltar, é provável a publicação de outro livro sobre os recursos humanos destas freguesias, onde muito mais se poderá fazer. O tempo o dirá!


C.O.
– O que acha do projecto Carapeços Online? Costuma visitar?

P.A. – Procurarei visitar o site mais assiduamente na busca de novos dados para a próxima publicação. Oxalá seja bem gerido e sirva posteriormente o futuro. Está, sobremaneira, na mão dos mais jovens, a quem pertence construir um futuro cada vez melhor.

 

O Carapeços Online agradece a disponibilidade demonstrada pelo Revº Padre Alcino para conceder esta entrevista. Trata-se, sem dúvida, de uma das pessoas que melhor conhece a freguesia e, como tal, era importante conhecer a sua opinião sobre alguns aspectos da nossa freguesia, bem como ficar a conhecê-lo um pouco melhor. Pela colaboração prestada, o nosso “Muito Obrigado”.

 
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