Pombinhas da Catrina.

Catarina de Alexandria a princesa Mártir, a sua formosura era
inigualável, era também muito orgulhosa, recordo-me de ouvir um sermão
a S. Catarina para conhecer o seu passado alegre e triste, na sua
juventude aparece o seu casamento, mas ela pôs condições, teria que ser
com o jovem mais formoso e a sua sabedoria fosse igual à sua mas
enganou-se pois não havia. Até que apareceu Jesus na sua Juventude
tinha ela dezassete anos. Catarina gosta dele, perguntou sua mãe? Ela
respondeu afirmativamente que sim! A mesma pergunta fez sua mãe a
Jesus: Mas Jesus disse que Catarina não era formosa por dentro e
retirou-se -se, ela furiosa vai ter com Ananias o Ermitão ou seu
conselheiro ,Ananias disse-lhe a verdade. Tu és muito vaidosa e muito
orgulhosa e Jesus não quer isso. Catarina vai á conquista da verdade
pela doutrina e pela fé, seus Pais dispuserem de quantos filósofos
havia, mas ela a todos embrulhou , por fim o próprio Imperador não
consegue os seu intentos ,pois Catarina converte sua própria mãe e
demais membros do Império, o Imperador revoltado mandou enforcar todos
os que ela converteu até a sua própria mãe, para martirizar Catarina
mandou construir umas rodas dentadas para a triturar, ali foi induzido
o seu corpo ficando transformado numa papa, um bando de pombas
apanharam essa papa e a levaram para o monte Sinai. Anos depois os
milagres sucediam-se a crença aumentou e construí-se a Capela em seu
louvor , tal como em Carapeços ,onde hoje fica o monte de S. Catarina ,
e foi nesse terreiro da Capela que nasceu a tão cobiçada e linda dança
e cantares das pombinhas da Catrina .
O Malhão Corrido.
O folclore tem sempre alguma coisa de bem, não é
preciso praticar atletismo ou fazer ginásio, as danças com as voltas e
revira voltas é uma das melhores conselheiras para manter a linha, e o
desenvolvimento muscular. Mas á mais danças todas elas tem o seu
romance, a sua história ou lenda, com que os nossos avós se aliciavam
em agasalhar esta ou aquela moça, para dar prazer á sua malícia, é o
caso do “Malhão Corrido” era o mais tradicional nessas provas de dar
uns apalpões, ou até uns beijos, essa dança de Fila começava no
terreiro e percorria os diversos cantos mais escondidos sendo por
detrás das medas de palha, por dentro de alguns cobertos, e demais
sítios convidativos, para tentar o que o diabo não perdoa , quando a
dança voltava ao terreiro era o par que pagava a factura, o tocador da
viola e a sua dançadeira , as mães que a acompanhavam as suas filhas de
bragasta em punho iam procurá-las quando por vezes elas já estavam
perdidas de amor , era este o Malhão que os namorados gostavam,
parabéns aos nossos avós .
Os outros três malhões mais convidativos a que alguém pudesse mostrar a
sua habilidade roubando a dançadeira que mais lhe agrada-se pondo em
risco a zaragata que normalmente acontecia na hora ou no final dessas
esfolhadas, ou seja os serões nas aldeias.
Malhão do souto.
Era apenas uma dança com mais ri timo, mais cansativa,
mais virada á perícia, os dançadores e as suas dançadeiras eram
escolhidas para rodarem a uma velocidade imaginária, e com perícia para
que os pares não chocassem fazendo assim o espalhafato de uma dança
destruidora, e alguns arranhões que podiam acontecer .
Loureiro Bate bate.
O loureiro bate bate, com as folhas no telhado, para o
meu amor entender. (Quantas vezes o loureiro batia no telhado, ou na
janela mesmo sem vento.)Pois no passado namorar com consentimento dos
Pais era caso raro , e o loureiro era o grande alcoviteiro para que se
namorasse sem os pais saberem , mas as raparigas nas danças no sachar
do milho nas mondas e demais trabalhos do campo faziam arrelia aos pais
e até aos namorados com loureiro verde loureiro, loureiro variador
,quando o loureiro vareia, que fará o meu amor. Era assim que elas
cantavam.
Regadinha
Dança de roda ,danças das prendas ,dos papelinhos, das
cartas de amor, dos piropos, das birras ,e por vezes das caretas aos
namorados, nesta dança sempre que se trocava de par, o namorado fazia
uma prova de amor, de mão na mão uma aliança em ouro, um anel, ou até
um esmalte com a fotografia ,eram prendas que sempre agradavam,
bilhetes escritos, ou as cartas bem dobradinhas, as convidavam para se
encontrarem aqui, ou além, era a dança do Regadinho.
Vareirinha.
Nos salões da nobreza, nos bailes das máscaras era a
fidalguia que se distinguia, era a aproximação dos príncipes,
descobrindo para esta ou aquela princesa a sua cara, escolhendo o seu
amado desejado, quando era do seu agrado a princesa ou a jovem também o
fazia, quando não era, meia volta ia fazendo a corte a outra,
concerteza que alguém se infiltrou como um Bocage, ou outro do mesmo
género, trazendo para o meio rural essa dança da fidalguia.
Vira de quatro.
Quatro Filas é o vira de luxo do povo minhoto, quem
não gosta de um vira.É a norte do País com os viras, com as alegres
romarias nas Vilas e Cidades do Minho e nas aldeias. Cantigas soltas ao
vento com seus belos trajes e que beleza, não se compara com as danças
da nobreza nas moçoilas do Minho não á pintura não a cremes não á pó de
Arroz mas a beleza está no Minho como diz o cantor Rodrigo, vamos ao
Minho alegre e franco, é assim que vemos os viras, não á palavras .
A gota.
É no linho e o trabalho que o linho dá, são as nossas
avós as principais actoras, desde o mergulhar do linho á secagem, o
malhar do linho, o triturar no engenho, o espadelar, são cuidados muito
delicados, é sempre a velha experiência que tem os seus cuidados no
preparar as estrigas do linho para ser fiado ,na passagem pelo sedeiro
nem qualquer rapariga seria capaz de sem a mãe ou avó ao lado.
O mesmo era com esta dança, a mestria a dedicação a sua sábia
experiência de mostrar o pezinho ao dançador , a sua meia de linho
rendilhada ,obra do seu trabalho as nossas avós cedem sempre o melhor
aos seus netos para que a sua habilidade seja sempre para o futuro o
espelho da verdade.
Perim.
Nas invasões Francesas para além do Perim, a chula
eram também o divertimento dos soldados Franceses, pouco ou nada de
divertido tem haver estas duas danças pela condição do povo Português,
não há dúvidas que é sempre um pesadelo sermos obrigados a divertir
quem não conhecemos, assim foi no passado dos nossos avós, que o
tiveram de fazer mesmo com o coração nas mãos , foi assim que os nossos
antepassados aprenderam esta dança na maior das amarguras tristezas.
Maneio.
Será que esta dança á mais um derriço daqui ou dali,
pois eram nos lugares desta terra e das Freguesias do Vale do Tamel,
que cada terra com os seus trajes ,cada lugar com as suas danças , era
da forma como o despique se fazia ,esta é a mais linda, o nome é
diferente.
Bate certo.
Filho do Maneio percorre vários sectores ou várias terras de
norte a sul do Vale do Cávado , tal como Macieira de Rates, Moure, e
Santa Maria de Galegos, a criadagem de servir, saíram de Carapeços á
procura de melhor vida ,por aí ficaram por aí constituíram as suas
famílias , nos seus divertimentos nunca esqueceram os cantares das suas
próprias danças da sua terra mãe, era a bela recordação que jamais se
pode esquecer.
Joaquina.
A senhora que apelidamos dos serões na aldeia vem dos
tempos remotos de que os nossos avós tem na ideia, que esta dança vem
do tempo de Viriato, ou Sertório como a Padeira de Aljubarrota pela sua
vitória e coragem, a louvamos com esta cantiga, aí Joaquina anda cá
para Barcelos ,todos queriam esta senhora ,era nesta dança e o cantar a
saudação que nesses tempos o faziam.
Pai do Ladrão.
Tal e qual como apelidamos o grande homem Zé do telhado ,ás
escondidas e com mais meia dúzia de homens , era o terror dos senhores
de gravata e corrente do relógio em ouro, era cobiça do Pai do Ladrão,
na estrada Barcelos Viana conhecido penedo ladrão onde os senhores
endinheirados eram despojados dos seus poderes que levavam, por vezes
eram os pobres que por ali passavam vitimas da ceita do Zé do Telhado,
mas como nada levavam, a misericórdia do Pai do Ladrão era muito grande
e repartia com eles o que roubava aos ricos, e muitas vezes o louvavam
com cantares e danças, é nesta dança de joelhos no chão, ou de pé com a
sua mão estendida que agradeciam o bem fazer aos pobres para que seus
filhos tivessem o pão para se alimentarem, Zé do Telhado homem de bom
coração, alegria dos pobres e flagelo dos ricos ,acabaria por ser preso
na sua moradia junto a um ribeiro em Penafiel, salvo erro, porém hoje é
lembrado no Minho e Douro, e quem sabe por todo o Pais .
Zé que Fumas.
De cigarro no canto da boca, saqueta ás costas pedindo
esmolas aqui e ali e além, triste ficava quando alguém de mau humor lhe
dizia vai trabalhar porque tens bom corpo, mas quando uma esmolinha
entrava na sacola cantava e dançava de alegria ,aí sim , qeuede o Zé
que fumas ai sim quede o fumador ,muitas eram as pessoas cantavam por
birra quando ele passava, assim era a tradição de birra, ou bom
sentimento, traduziram em dança seus gestos ,o Zé que fumas ainda á bem
pouco tempo passava por Carapeços era um pedinte que lhe chamavam o Zé
cantador ,quer de autocarro ou a pé eram bem vivos os seus cantares e
espalhafatos ,também pregava sermões ,não sei ao certo qual a sua terra
natal mas seria entre Aborim Quintiães ou Aguiar ,sei que alguém lhe
dava alguns tostões para ouvir as suas imitações ou sermões .
Vira.
Vira de ir ao meio vira cruzado ou vira solto ou vamos
á Romaria ,pois todas estas danças eram paixão de muitos jovens ,quando
a concertina tocava já se pulava ,porque esse instrumento com o seu
toque enchia de alegria o coração de toda a gente ou qualquer festa ou
romaria das aldeias Minhotas eram os viras os Malhões de toda a
mocidade.
Autor. Alexandre Cruz Rosas.