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SAÍDA DE LISBOA. criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por José Pernicas da Silva   
Sexta, 28 de Julho de 2006
                I
Quando ele deu partida ,
Disse adeus a Lisboa,
Todo o tempo que aqui andei,
Todo o tempo foi à toa.
 

            II
Eu ia por aí acima,
Cheirinho a cidade,
Adeus Lisboa adeus,
Vou gozar a mocidade.
 

           III
Este tempo que aqui esteve,
Todo o tempo foi perdido,
Este tempo foi,
Por mim todo medido.
 

            IV
Adeus raparigas de Lisboa,
Não vos quero nem mais um beijinho,
Até que chegou o dia,
Que vou partir para o Minho.
 
            V
Não tenho que vos pedir perdão,
Não vos devo um real,
Trabalho que me fizeste,
Paguei-vo-lo a jornal.
 

             VI
Adeus calçadas  de Lisboa,
Eu vos mandei ladrilhar,
Enquanto aqui andei,
Para andar a passear.
 

             VII
De todos estes jardins,
Me despeço eu agora,
Os dias que lá recriei,
Mas agora vou-me embora.
  
             VIII
Adeus B. C. nº 5,
Tanto tempo me prendes-te.
Mas fico pronto,
Para um dia defender-te.
 

                IX
Tanto tempo me prendes-te,
Não te posso perdoar,
E logo foi no melhor tempo,
Que eu tinha para amar.
 

             X
A cidade de Lisboa,
Eu não posso gabar,
Os dias que cá andei,
Toda a vida os estou a chorar.
 

              XI
Quinze meses fora da terra,
Da minha dita freguesia,
Longe da minha família,
E da minha querida Maria.
 

             XII
As saudades que eu tinha,
Que me não pode passar,
Era aquele rico tempo,
Que andava a  namorar.
 

            XIII
Adeus igreja de Lisboa,
As vezes que fui à missa
Vi as meninas que lá estavam,
Que até metiam cobiça.
 

            XIV
Mas o que eu quero è ir para a terra
De Lisboa não tenho pena.
Que um homem com a farda,
È de considerar bem a encena.
 

              XV
Comboio por aí acima,
Pára só na minha aldeia,
Que eu lá quero sair,
O meu coração anseia.
 
         XVI
Acabou a viagem,
Agora já cá cheguei,
A viagem que teve,
E o que eu por lá passei.
 
 
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