I Quando ele deu partida , Disse adeus a Lisboa, Todo o tempo que aqui andei, Todo o tempo foi à toa.
II Eu ia por aí acima, Cheirinho a cidade, Adeus Lisboa adeus, Vou gozar a mocidade.
III Este tempo que aqui esteve, Todo o tempo foi perdido, Este tempo foi, Por mim todo medido.
IV Adeus raparigas de Lisboa, Não vos quero nem mais um beijinho, Até que chegou o dia, Que vou partir para o Minho. V Não tenho que vos pedir perdão, Não vos devo um real, Trabalho que me fizeste, Paguei-vo-lo a jornal.
VI Adeus calçadas de Lisboa, Eu vos mandei ladrilhar, Enquanto aqui andei, Para andar a passear.
VII De todos estes jardins, Me despeço eu agora, Os dias que lá recriei, Mas agora vou-me embora. VIII Adeus B. C. nº 5, Tanto tempo me prendes-te. Mas fico pronto, Para um dia defender-te.
| IX Tanto tempo me prendes-te, Não te posso perdoar, E logo foi no melhor tempo, Que eu tinha para amar.
X A cidade de Lisboa, Eu não posso gabar, Os dias que cá andei, Toda a vida os estou a chorar.
XI Quinze meses fora da terra, Da minha dita freguesia, Longe da minha família, E da minha querida Maria.
XII As saudades que eu tinha, Que me não pode passar, Era aquele rico tempo, Que andava a namorar.
XIII Adeus igreja de Lisboa, As vezes que fui à missa Vi as meninas que lá estavam, Que até metiam cobiça.
XIV Mas o que eu quero è ir para a terra De Lisboa não tenho pena. Que um homem com a farda, È de considerar bem a encena.
XV Comboio por aí acima, Pára só na minha aldeia, Que eu lá quero sair, O meu coração anseia. XVI Acabou a viagem, Agora já cá cheguei, A viagem que teve, E o que eu por lá passei.
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