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Deus e o Diabo. criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por José Pernicas da Silva   
Quinta, 03 de Agosto de 2006
 

 

Deus e o Diabo.
 

Isto passado à mil anos : quando Cristo expulsou o diabo do céu, ele puxou-lhes  partilhas, mas como Cristo não usou dinheiro ele meteu-o em tribunal.

            
                   I
A vida de Cristo e o Diabo,                                                 
Ainda tem a sua história.
Quando Cristo o despachou,
Lá do reino da glória.
 

                II
Quando se desentenderam,
E foram para a discussão.
Nessa altura o diabo,
Pede-lhe indemnização.
 

               III
Cristo não tinha dinheiro,
Viveu pobre cá na terra.
Foi a maneira de pegar,
Com o diabo uma guerra.
             
               IV
Cristo viveu pobrezinho,
Pobre morreu afinal.
O diabo furioso,
Meteu-o no tribunal.
  
               V
Depois de estar em tribunal,
Cristo tive que se defender.
Cristo sem Advogado,
Ficou o diabo a vencer.
             
              VI
Advogados não tenho,
Mas muito desquersoado.
O juiz lhes pergunta,
Uma questão sem advogado.
 
              VII
Cá no céu advogados não tenho,
Vivo com o pai eterno.
O diabo carregou os tolos,
Prás  profundas do inferno.
 

 
             VIII
O diabo todo ufano lá estava,
Com toda a corte infernal.
Com milhões de advogados,
Pró defender afinal.
 

              IX
Segue então a audiência,
Vou ter  que o condenar.
Vai dar meio mundo ao diabo,
Para ele governar.
 
               X
O diabo ficou contente,
Saiu do tribunal a rir.
Ainda tenho mais advogados,
Para no inferno cair.
 

               XI
Então no fim da audiência,
O juiz disse tenho dito.
Metade do mundo do diabo
E outra metade de Cristo.
 

               XII
O Cristo ao ouvir a sentença,
Virou-se para o juiz e disse.
Ai mundo como estás,
Que eu só vejo trafulhice.
 
                XIII
Até que alguns meus discípulos,
Juntaram-se ao diabo.
Só lhes falta enfeita-los,
Com uns cornos e um rabo.
 
                XIV
Levam dinheiro por tudo,
Até para enterrar.
Assim vão arranjando dinheiro,
Para o diabo comprar.
 

 

            
                 XV
Logo que nasce uma criança,
Começa logo a pagar.
O diabo só quer dinheiro,
Está de lado a espreitar.
 

               XVI
Então o senhor abade,
Com aquele bom coração.
Tem que pagar o padrinho,
Para ser um bom cristão.
 

            XVII
O diabo todo contente,
Por ganhar tal questão.
Os advogados são dele,
E os pobres que lá vão.
 
           XVIII
Jesus Cristo ficou triste,
Por perder tal questão,
Aí pobre da humanidade,
No meio de tanto lambom.
 

             XIX
Já está aí o dois mil e dois,
E eu dele tenho medo.
Estamos a ver o mundo,
E o povo sem sossego.
 

              XX
Aí milénio ai milénio,
O mundo está a ficar feio.
Meio mundo do diabo,
E para lá vai o outro meio.
 

               XXI
Ai milénio ai milénio,
Já ouço o povo aos ais.
As autoridades sem poder,
E cada vez se mata mais.
 

           XXII
Ai milénio ai milénio,
Cá do alto vi-te a entrar,
Os governantes cada vez mais ricos,
Os pobres a trabalhar.
            
 

 
             XXIII
O milénio não è santo,
Ele nada pode fazer.
Os roubos cada vez mais,
E os governantes a ver.
 

            XXIV
Ai milénio ai milénio,
Tu não podes fazer milagres.
Podes juntar padres e freiras,
Capuchinhos e abades.
 
            XXV
Ai milénio ai milénio,
Já sinto certa tristeza.
Quem trabalha é sacrificado,
E os mandões em beleza.
 

            XXVI
Cristo reuniu os santos,
Para ver o que fazer.
A resposta que eles deram,
Olha senhor deixa arder.
 

            XXVII
O Cristo chamou os anjinhos,
Mas eles fizeram-se de moucos.
O povo assim o quer,
Deixa aldrabar uns aos outros. 
 

          XXVIII
Ai milénio ai milénio,
Tem do povo piedade.
Vejo o mundo a caminhar,
Em grande velocidade.
  
           XXIX
Ai milénio aí milénio,
A tua fama é fraca.
Olha pela humanidade,
Não venhas fazer barraca.
 

             XXX
De rapaz pequeno te ouvia,
De dois mil não passarás.
O mundo continua sempre,
Mas a humanidade matarás.
 

 

         
 

              XXXI
Ai dois mil olha o mundo,
Que a justiça não vê.
O interesse continua a cega-la,
Está de balança na mão para quê.
 

            XXXII
Estamos no ano dois mil,
Traz uns dias felizes.
Defende-nos nesta vida,
De advogados e juízes.
 

           XXXIII
Ai dois mil ai dois mil,
Eu não vou ver o teu fim.
O velho sempre foi amigo,
Que não me tirou a mim.
 

          XXXIV
Ai milénio ai milénio,
Toma isto em atenção.
Afasta lá para longe,
O padre o coveiro e o caixão.
 
          
          
 

 
             
            XXXV
Ai milénio aí milénio,
Já te vejo aos trambolhões
Estão aparecer cada vez mais,
Assassinos e ladrões..
 

          XXXVI
Moro na beira do monte,
Meus vizinhos são codéssos.
Encostado aos penedos,
Vou escrevendo estes versos.
 

           XXXVII
Adeus amigos adeus,
Queria escrever mais um pouco,
Ao ver o mundo assim,
Estou a ficar um pouco louco.
 

            XXXVIII
Meu nome é José da Costa (Zilo)
Escritor e autor destes versos.
Moro no lugar do monte (105)
Freguesia de Carapeços.
 

 

 

 


 

 
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