I
Antoninho que levara para a guerra,
Um pombinho correio encantador.
Para mandar notícias para a terra,
A sua querida amada Leonor.
II
No dia de partir o juramento,
Ela disse ser dele até à morte,
E num a Deus de despedida e de tormentos,
A chorar lhe disse Deus te dê sorte.
III
Mas tarde pelo pombo entre praças,
Ele lhe mandou dizer tristeza infinda,
Sou teu, sou pela pátria não te esqueças,
Sou vivo e se morrer sou teu ainda.
| IV
Um dia estando ele muito absurdo,
Quando o retrato dela enteralgia,
Quando lhe caiu aos pés o pombo morto,
Com um simples bilhete que dizia.
V
Quebrei meu juramento eu bem sei,
E tu não voltas mais à nossa terra,
Esquece-te de mim que já casei,
Adeus e serás feliz aí na guerra.
VI
António gargalhou qual um doente,
Soltando gritos de raiva e de dor,
Expôs ao peito e foge heroicamente,
Morreu falando ainda em Leonor.
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