I O ladrão do melro negro, Toda a noite assobiou, No romper da madrugada, Bateu asas e voou.
II Toda a vida procurei, Um melro para me entreter, Quem me dera meu amor, Quem me dera um melro ter.
III Melro negro és tão lindo, Como outro ainda não vi, Quando abres o biquinho, Até a vida dou por ti. IV Na tua gaiola Maria, Não pode este melro entrar, A portinha è muito estreita, Tenho medo de a arrombar.
V Apanhei o melro negro, Lá debaixo dum salgueiro, Antes de o apanhar, Andei quase um mês inteiro.
VI Por ser um bom caçador, O lindo melro apanhei, O que fiz para o caçar, Isso nunca eu direi. VII Um lindo melro apanhei, Macio como veludo, Mas nem uma pena tinha, Era muito gadelhudo. VIII O teu melro ò Maria, È um melro encantador, È o que me faz Maria Até ter-te amor.
| IX Deitado na minha cama, Entro contigo a sonhar, Andei de volta de ti, Foi até tu apanhar.
X O melro já tu apanhei, Não me digas pois que não, Agora o melro é meu, Tenho-o eu na minha mão.
XI O melro da minha Maria, È um passarinho de estimar, Apenas desperta o dia, Começa logo a cantar.
XII Esta noite à meia noite, Nem meia noite seria, Ouvi o melro a cantar, Da minha querida Maria.
XIII Em cima do alto pinheiro, Tinhas o melro a cantar, Ainda espero Maria, De tu ir lá apanhar.
XIV Com o cantar do teu melro, Maria me encantou, Quando eu passei por lá, Foi que ele esvoaçou.
XV Foi o que me fiz Maria, O teu melro apanhar, Agora na minha gaiola, Teu melro está a cantar.
XVI Mas tu não estejas triste, Em eu o teu melro ter, Ele está na minha gaiola, Eu dou-lhe bem de comer. José Costa .
|