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Colocamos aqui no site algumas fotos elucidativas dos estragos
provocados pelo dilúvio ocorrido em Carapeços no passado fim de semana.
Pode ver as fotos na galeria de fotos ou então a partir daqui.
Informações já disponiveis em "Ler mais"
As fortes chuvadas que
caíram no último fim de semana (Sábado 21 e Domingo 22), puseram em
sobressalto parte dos habitantes de Carapeços, principalmente, os
moradores das casas nas imediações do rio da Capela, no lugar da
Coutada. Este saiu do seu leito quando os primeiros os aquedutos junto à costa do monte entupiram, impedindo a passagem das águas. Estas atalharam em frente e galgaram estradas, caminhos e terrenos circundantes, arrastando consigo pedras, derrubando muros, entraram pelas casas dentro, inundando dezenas de habitações no lugar da Coutada. A primeira intempérie aconteceu no Sábado por volta das 11h00. Em
poucos minutos arrastou tudo o que aparecia pela frente, apanhando de
surpresa os moradores das casas referidas. Para trás ficou um rasto de
destruição, ficando as casas isoladas com as estradas e acessos destruídos.
As chuvas, durante a
noite, diminuiram de intensidade e os referidos habitantes tiveram uma
noite tranquila, mas no Domingo, pelas 09h00 da manhã regressaram as
fortes chuvadas, e puseram de novo em alvoroço os
moradores. Com o caminho atalhado do dia anterior, as águas
desgovernadas vieram abrir crateras nas estradas. A protecção civil acorreu ao local, mas pouco pôde fazer. Tentou
apenas que as águas seguissem o percurso normal do rio. Mais tarde, as
máquinas fretadas pela junta de freguesia trataram de pôr a água no seu
percurso normal. Felizmente não houve vitimas a lamentar. No entanto, em
frente á habitação de Manuel Mano, a estrada foi transformada em rio, mas os momentos de maior pânico aconteceram quando o muro da outra margem, com 4 metros de altura cedeu. Desmoronou-se e tapou a estrada. A água não teve outro
caminho e entrou pela casa dentro e enquanto os homens tratavam
a todo o custo de parar a entrada das águas, as mulheres trataram de
pôr as crianças a salvo. Foram momentos de alguma aflição. As águas chegaram a galgar muros de 1 metro de altura. A casa do Zeferino foi a primeira a ser inundada. De imediato tiveram que arrombar uma parede à marretada (esta servia
de protecção ao seu terraço) para desviar a água que entrava a grande
velocidade pela cozinha dentro. Os donos das casas tentaram proteger o
máximo possível, ora com farrapos nas entradas das portas, ou com tábuas nas
entradas dos seu portões. Para além da força da natureza, o principal
problema aconteceu em todas as passagens inferiores - “aquedutos”. As anilhas de cimento ali colocadas não tinham mais que 80cm de diâmetro. Em muitos casos, o caudal da água não cabia na passagem e noutros, entupiam com latas, madeiras, e outro lixos, Um caso curioso foi ver á entrada do primeiro aqueduto uma motorizada, ali abandonada. Foi esta o principal motivo de entupir e aí começar a desviar a água do rio. Galgou centenas de metros fora deste, passando
nos caminhos e estradas, arrancando o paralelo na largura total da via.
Para piorar mais a situação, as obras de saneamento que estão a
realizar-se nesses pontos críticos, ao
não estarem ainda pavimentados, as águas naturalmente escavaram a terra
das valas, ficando á vista os tubos do saneamento e água há poucas
semanas metidos. Lembramos que em 2001 aconteceu
caso semelhante, mas os danos acabaram por afectar apenas uma
habitação, e alguns muros de suportes dos terrenos ribeirinhos.
À parte tudo isto, mas também por motivo do mau tempo, a casa que apresenta mais prejuízos, situa-se no lugar da Areeira, pertencente a Maria da Conceição Cruz. A trovoada fez cair uma faísca no seu quintal sobre uma árvore (nogueira) e foi aloja-se dentro da habitação, através de uma caixa de distribuição de electricidade junto do portão
automático. Destruiu todo o circuito de electricidade e todos os
electrodomésticos que se encontravam conectados. O quadro geral
estoirou, tal foi a violência que foi projectado contra uma porta de
vidro interior, partindo o vidro desta na
totalidade, espalhando por toda a casa detritos de material eléctrico.
Naturalmente, a senhora que se encontrava a fazer o almoço por voltas
das 11horas, ficou em choque, valendo os vizinhos para lhe dar ânimo
naquele momento, só de pensar que a desgraça poderia ser maior, uma vez, que para além de Conceição Cruz se encontra na cozinha, os seus miúdos encontravam-se noutra divisão da casa.
Conceição Cruz.
Foi ali naquela nogueira como você vê, que a faísca caiu ,eu estava aqui ao pé do
fogão a fazer o comer, ouvi aquele estrondo e chamei pelos miúdos para
ver se eles estavam bem, fiquei como uma barata tonta, andavas ás
voltas e não
via nada, fui á porta e vi muito fumo debaixo da árvore, ao vir de novo
para dentro os miúdos chamaram-me atenção “ Ò mãe o quadro rebentou
todo”depois é que vi todos os vidros espalhados e a tampa do quadro
como pode ver, foi parar á dispensa, estou sem luz, o fio do telefone
rebentou, está tudo destruído,
José costa; Morador afectado.
Na minha opinião terá que se fazer uma conduta mais larga 1,5m por 1,5m com
um gradeamento de ferro grosso, de forma a poder suportar o peso de um
tractor, para apanhar todas as águas que vem do monte, que mesmo
trazendo lixo possa na mesma entrar dentro da conduta, para não
acontecer como aconteceu agora em que a água veio por aquele caminho
abaixo que vem ter à casa do Ferino. Ao entupir esse primeiro
“aqueduto” foi a causa principal da água sair fora do rio.
Rita: Moradora afectada.
É essa pontelha que está ali atrás, que
me deita a minha casa abaixo, essa pontelha tem que sair, está sempre a
entupir , os tubos são estreitinhos e as pedras entalam-se dentro.
Tenho a dizer que
não podem existir tubos no rio, tem que ser muros bem altos, porque os
tubos entopem e vem os penedos dos montes e arrasam-nos as casas, a
água quer passagem, é a própria natureza que faz estas coisas, não se
pode por culpas a ninguém, é a própria natureza que invade tudo, mas o
rio tem que ter o caminho dele, ele vem buscar aquilo que lhe tiraram
,não é com tubos mas sim muros de betão para ele ter onde passar, isto é uma desgraça vai tudo pelo rio abaixo, tanto a gente trabalhou, para ter tudo destruído, não posso dizer mais nada.
Manuel Mano Morador atingido .
Foi na manhã de hoje (domingo 22) que fomos mais atingidos, porque a estrada vinha muito cheia de água, o muro da Sameira arrasou-se e desviou a
água aqui para dentro, em vez de ir pela estrada abaixo, aquela
pontelha ali em cima os tubos são muito estreitos a água arrasa-os e
vem por fora, vai ter que se rebentar com aqueles tubos, e por em
caleira aberta, ali mesmo á beira da casa do Alfredo, é ali onde a água
entope e vem toda por fora, como pode ver, a água entrou-me por aqui
dentro, foi-me para o quarto e para sala, estragou para aí tudo.
Alfredo: Morador afectado
Aqui o pior dia foi ontem (Sábado 21) tudo começou quando a água entupiu na passagem da quinta
do monte tem lá uma motorizada, o Presidente da junta acho que já viu,
parece que até lhe tirou a matricula, mais abaixo no caminho público á
outra em que eu já avisei o presidente de junta á muito tempo, que
aquela pontelha tinha que ser arranjada, mas ele fechou os olhos, ainda me processou, e não fiz caso, a
água em vez de vir pelo ribeiro veio pelo caminho, bateu na casa do
ferino, ali fez estragos e caia ali abaixo, inundou-me a casa, ontem
era muita água e cabia, e hoje também cabia, a água cabe muito bem! as
pedras é que não!! Eu só quero saber o que é que a protecção Civil
andou aqui a fazer ontem? partiu um tubo para tirar uma pedra, já está
outra a entupir!!
Victor Manuel Crespo filho do Ferino, Morador afectado.

Foi ontem (Sábado 21)eram 11, 11h30 foi uma invasão de água que ninguém
segurava nada, fui tudo a eito era pedras, tudo o que era chapas
velhas, foi tudo por aí abaixo, inundou-nos a casa por cima, por dentro
por baixo foi tudo, tire aqui uma fotografia a esta horta, como pode
ver está também toda destruída.
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