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No
passado dia 28 de Outubro de 2006, pelas 19:30h, na Casa do Povo de
Carapeços, teve lugar uma cerimónia de homenagem das Associações
Culturais (de carácter não religioso) ao Rev. Padre Alcino. A cerimónia
contou com a presença de todos os grupos culturais: ACDC – TPC;
Fanfarra S.Tiago de Carapeços, Academia Cultural de Carapeços, Rancho
Folclórico S.Tiago de Carapeços, Coral Magistroi, Casa do Povo
(organização) e contou ainda com o apoio da Junta de Freguesia. Estiveram
presentes na mesa de honra o Presidente da Casa do Povo Assis Tomé e o
Presidente da Junta de Freguesia Bartolomeu Barbosa. Este evento contou
com a apresentação de várias peças (cada uma alusiva à actividade que
cada grupo realiza), no final a Junta de Freguesia ofereceu uma
lembrança. Tudo terminou com um discuro do P.Alcino (gentilmente cedido
na integra, pode consultar em “Ler mais”).
O programa constou da:
1) Abertura com uma Marcha parada pela Fanfarra de S. Tiago de Carapeços.
2) Boas vindas: Palavras de saudação pelo Presidente da Casa do Povo de Carapeços:
3) Actuação de cada um dos grupos presentes: Fanfarra, Academia Cultural, Teatro Popular de Carapeços, Projecção multimédia e Coral Magistroi,
4) Um sinal de gratidão (oferta duma lembrança) e um desafio, pela Junta de Freguesia de Carapeços.
5) Para encerrar, o P. Alcino, na qualidade de autor dos livros sobre Carapeços.
Discurso do P.Alcino:
Meus amigos:
Confesso que funcionou o “efeito surpresa”, que rodeou este encontro,
pelas palavras de saudação do Presidente desta Casa do Povo e pela
forma como veio avivar recordações do meu passado nestas freguesias; e
pelo elevado grau de expressão artística patenteado por todos os grupos
presentes. Pela presença de amigos selectos e, também, pela oferta da
Junta de Freguesia, que fica para fixar no tempo estas horas de
verdadeiro encanto, que estamos a viver. Parabéns a todos e muito
obrigado.
Não posso deixar de ser muito reconhecido por esta homenagem que
quiseram prestar ao autor dos livros e cadernos sobre Carapeços. Tudo
pela, já muito antiga, Magistroi.
Ao ser convidado para uma reunião com os grupos das actividades “não
religiosas” de Carapeços fiquei curioso e questionei-me: Para quê? Qual
a sua finalidade? Pouco
tempo depois, em 17 deste mês, no café aqui ao lado, fui informado pelo
Prof. José Fernandes da homenagem que se preparava e, embora alérgico a
estas manifestações, logo fiquei interessado e contente, mesmo muito
contente, por ver à minha frente o Professor a oferecer-me, de
“bandeja”, uma oportunidade que há muito tempo desejava.
Deixo para a frente a explicação.
Historiando. Foi em 1984, perante as obras de restauro da igreja
românica de Santa Leocádia e perante a vontade manifesta da sua
demolição para ser substituída por outra mais ampla e actual, que sofri
um choque profundo ao verificar o pouco ou nenhum interesse posto na
defesa do nosso património. Aconteceu em Santa Leocádia, como poderia
ter acontecido em Carapeços se a mesma ocasião se oferecesse.
A
partir daí começaram as notas culturais publicadas em jornais de
Barcelos e os livros sobre estas freguesias, situadas na parte mais
alta do “mal conhecido” Vale do Tamel. Nesse tempo nem sequer a cultura
física tinha grande apoio. Era em terrenos incultos ou semi-abandonados
e em campos de jogos particulares ou das freguesias vizinhas que os
amigos da bola podiam dar o gosto ao pé. Viveu-se no mais completo
marasmo, durante muitos anos, até Carapeços ter o seu campo de futebol,
cuja história da sua concretização é de todos bem conhecida.
E no que respeita à cultura?
Ainda
vimos na antiga “Sede” um palco rudimentar com uma parede removível, no
propósito de possibilitar o seu alargamento para o adro, quando
necessário. (A verga granítica, a servir de banco, ao lado da igreja é
o que resta dessa parede). Foi o conhecido Major Rodrigues, no seu
tempo, quem mais fomentou ali as representações teatrais.
Após a inauguração desta Casa do Povo, aqui tiveram
lugar algumas esporádicas e populares representações, que pareciam
justificar a existência do salão e do palco. Depois foi instalado um
televisor que veio transformar o salão em casa de cinema. A seguir
voltou tudo a cair na maior apatia.
Vamos à prometida explicação.
A verdadeira cultura deve abranger o homem todo, na sua tríplice
dimensão: humana, cívica e religiosa, sem nenhuma faltar, aliás será
manca. Se algo falhar, repito, falha também o homem íntegro. Para a sua
maior perfeição teremos de acrescentar à religiosidade de cada um, uma
consciente espiritualidade. Mas, restringir tudo apenas à cultura
física, será para o mesmo homem extremamente redutor, aproximá-lo-ia da
simples animalidade.
Sendo
o Prof. José Fernandes um homem de formação técnica e científica,
apaixonado da arte teatral e musical, tornou-se na nossa terra um
autêntico paladino da
arte e da cultura, voltada para o homem integral.
Tenho
observado desde a primeira hora, com o maior interesse e atenção o seu
trabalho contínuo, persistente e sacrificado, num grande desprendimento
e sem alardes, no seio desta comunidade, onde se integrou, voltado para
a formação dos jovens.
Sem
esquecer todos os seus colaboradores, que o tem acompanhado desde o
início, nem recordar os possíveis desencantos, contratempos e
dificuldades inerentes a estes trabalhos, que sempre soube dissimular,
chega o momento de expressar a razão do meu grande contentamento.
Ao vermos tantas pessoas juntas, reunidas num mesmo sentir, aproveitamos esta rica oportunidade, que nos deu, para:
a) Em primeiro lugar,
testemunhar-lhe publicamente a minha maior admiração e estima pessoal
pela pessoa e pelo seu trabalho, realizado nesta freguesia, em prol da
cultura. Por isso é com o maior contentamento que peço a toda a
assistência o melhor apoio e um grande e vibrante aplauso, que abranja
os seus colaboradores desde a primeira hora e todos os actores que,
durante estes últimos anos, têm proporcionado ao povo de Carapeços
momentos inesquecíveis de arte e grande prazer.
O Prof. José
Fernandes, ao assumir a presidência do ACDC e ao criar o TPCzinho, veio
acrescentar uma nova dimensão ao futebol de Carapeços, apontando metas
e preparando, com confiança, um melhor futuro. Merece os nossos
aplausos.
(Aplausos).
b)
E, a seguir, com não menor apreço, admiração e alegria, é para mim
sumamente grato enaltecer, nesta hora, o Orfeão de Carapeços, recordar
a sua arrancada no ano de 1977 e trazer à colação os seus fundadores,
quase todos vivos.
Manuel dos Santos Fonseca, ao baptizar o grupo, foi o primeiro
divulgador do nome primitivo de Carapeços. Sendo o seu único Director
artístico, sempre coadjuvado por Carlos A. Ralha e
a cooperação entusiástica e sacrificada dos coralistas da terra e de
fora, acompanhei constantemente o Coral Magistroi, com o maior
interesse e amizade, mesmo quando parecia ser “persona menos grata”.
Por isso posso testemunhar a união e a alegria exuberante existente nos
ensaios, convívios, passeios e actuações.
Nas suas deslocações foi um verdadeiro emissário da cultura de
Carapeços e Barcelos pelas terras de Portugal e do estrangeiro. E, em
Carapeços, sempre esteve presente nas festas e nas grandes celebrações.
É lhes devido o meu agradecimento pessoal e da paróquia que represento.
Que as Bodas de Prata, celebradas em 2002, sejam o melhor incentivo
para chegar às Bodas de Ouro. São os melhores votos que formulamos
nesta hora.
Para o Orfeão e coralistas peço a todos o mais vibrante aplauso. (Aplausos)
c) Também, que a Fanfarra S.
Tiago, com um passado prateado desde 2005, continue a ser um “cartaz
vivo e alegre” de Carapeços pelas terras por onde passe, são os nossos
votos.
Presente nas celebrações e nas horas festivas desta freguesia merece a ajuda, a admiração e o aplauso de todos vós. (Aplausos)
d) Onde pára o Rancho Folclórico? Como as árvores não morrem no Outono, mas durante
o Inverno entram em letargia, aguardemos confiantes a Primavera para
que ressurja pujante de movimento e alegria a fim de poder animar com
as suas danças e cantares as gentes de Carapeços. São os nossos
sinceros desejos. Pelo seu passado vivo e alegre os aplausos de todos. (Aplausos)
e) Não compreendemos o motivo do convite para este encontro-reunião ser
restringido aos grupos “não religiosos” de Carapeços. Será que o “Coro
Paroquial de Carapeços” não é artístico nem cultural?
Permitam-me mais umas considerações:
É o grupo mais antigo de Carapeços. Já, há muito, ultrapassou as “Bodas
de Diamante”. Aproxima-se do centenário. Remonta à década de 10 a 20,
do século passado. Consta da história escrita de Carapeços, segundo o
falecido Major Rodrigues, que foi fundado pelas filhas do Conde de
Azevedo, então, moradoras na Quinta da Queirosa, hoje Casa do Néu.
Foram elas quem fundou “um grupo feminino de cantoras, muito apreciado nas festas e nas horas de piedade”,
diz-nos o citado Maj. Rodrigues a págs. 111-112, do seu livº. “Retrato
da Vida”. Ele próprio foi discípulo “musical” dessas Senhoras.
Desde essa data a família dos Andrades sempre foi das mais predispostas para a música. Ainda agora os seus descendentes (filhas do Miguel, do Martinho, Mitras, etc., entre outras), marcam presença nos vários coros.
Eram os elementos desse coro quem, nesses tempos, animava os encontros
e convívios, onde havia danças e cantares. O Coro Paroquial tem
participado, também, em encontros e festivais de música não religiosa.
Dissemos atrás que a verdadeira cultura deve abranger ao pessoa
integral, inclusivé, a sua religiosidade e espiritualidade. Será que a
electrónica – equiparámo-la, neste contexto, à religiosidade e à
espiritualidade – nada pode acrescentar à simples mecânica.? São questões para reflexão.
Nesta hora não poderia esquecer, sem injustiça, o nosso Coro Paroquial, mais antigo e tão actual como outro qualquer.
Tantos anos, dias e horas de sacrifícios continuados, nos ensaios para
a animação do culto nas festas e na liturgia, merecem, também, a
gratidão, o apoio e o aplauso de todos nós.
(Aplausos)
E,
para terminar, não devemos esquecer o Coro Infantil e a novel Academia
Musical. Esperemos continuem a crescer e se integrem na comunidade para
que possam dar os seus frutos. São os nossos votos.
Quanto ao trabalho literário dos autores da nossa terra será bem
consultarem os “sites” de Carapeços. Por nós pouco mais queremos
acrescentar. Está quase tudo escrito nos livros e ainda restam umas
centenas de exemplares... Nos opúsculos sobre os limites destas
freguesias e nos livros sobre a História de Carapeços e de Santa
Leocádia procurámos despertar nas pessoas a consciência da sua
identidade territorial e colectiva, dar conhecimento das raízes do
povo, que somos, e apresentar os documentos que as abonam. E,
conhecendo o passado, facilitar a sua caminhada para um futuro melhor.
Esta oportunidade, oferecida pelo Prof. J. Fernandes, foi magnífica por coincidir com minha
passagem do testemunho ao novo pároco, P. Dr. João M. Pinheiro Antunes,
o Senhor Abade de Carapeços, e permitir penitenciar-me de possíveis
erros ou faltas involuntárias, bem como exortar à cooperação de o
todos, com o novo pároco, por esse Carapeços maior.
A cada um as maiores venturas.
Tenho dito.
P. Alcino
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