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Homenagem ao Padre Alcino criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Carapeços Online   
Domingo, 05 de Novembro de 2006

Homenagem P.AlcinoNo passado dia 28 de Outubro de 2006, pelas 19:30h, na Casa do Povo de Carapeços, teve lugar uma cerimónia de homenagem das Associações Culturais (de carácter não religioso) ao Rev. Padre Alcino. A cerimónia contou com a presença de todos os grupos culturais: ACDC – TPC; Fanfarra S.Tiago de Carapeços, Academia Cultural de Carapeços, Rancho Folclórico S.Tiago de Carapeços, Coral Magistroi, Casa do Povo (organização) e contou ainda com o apoio da Junta de Freguesia.  Estiveram presentes na mesa de honra o Presidente da Casa do Povo Assis Tomé e o Presidente da Junta de Freguesia Bartolomeu Barbosa. Este evento contou com a apresentação de várias peças (cada uma alusiva à actividade que cada grupo realiza), no final a Junta de Freguesia ofereceu uma lembrança. Tudo terminou com um discuro do P.Alcino (gentilmente cedido na integra, pode consultar em “Ler mais”).

O programa constou da:

1) Abertura com uma Marcha parada pela Fanfarra de S. Tiago de Carapeços.

2) Boas vindas: Palavras de saudação pelo Presidente da Casa do Povo de Carapeços:

3) Actuação de cada um dos grupos presentes: Fanfarra, Academia Cultural,  Teatro Popular de Carapeços, Projecção multimédia e Coral Magistroi,

4) Um sinal de gratidão (oferta duma lembrança) e um desafio, pela Junta de Freguesia de Carapeços.

5) Para encerrar, o P. Alcino, na qualidade de autor dos livros sobre Carapeços.

 

 

Discurso do P.Alcino:

 

Meus amigos:

Confesso que funcionou o “efeito surpresa”, que rodeou este encontro, pelas palavras de saudação do Presidente desta Casa do Povo e pela forma como veio avivar recordações do meu passado nestas freguesias; e pelo elevado grau de expressão artística patenteado por todos os grupos presentes. Pela presença de amigos selectos e, também, pela oferta da Junta de Freguesia, que fica para fixar no tempo estas horas de verdadeiro encanto, que estamos a viver. Parabéns a todos e muito obrigado. 

Não posso deixar de ser muito reconhecido por esta homenagem que quiseram prestar ao autor dos livros e cadernos sobre Carapeços. Tudo pela, já muito antiga, Magistroi.

           

Ao ser convidado para uma reunião com os grupos das actividades “não religiosas” de Carapeços fiquei curioso e questionei-me: Para quê? Qual a sua finalidade?  Pouco tempo depois, em 17 deste mês, no café aqui ao lado, fui informado pelo Prof. José Fernandes da homenagem que se preparava e, embora alérgico a estas manifestações, logo fiquei interessado e contente, mesmo muito contente, por ver à minha frente o Professor a oferecer-me, de “bandeja”, uma oportunidade que há muito tempo desejava.

            Deixo para a frente a explicação. Padre Alcino

           

Historiando. Foi em 1984, perante as obras de restauro da igreja românica de Santa Leocádia e perante a vontade manifesta da sua demolição para ser substituída por outra mais ampla e actual, que sofri um choque profundo ao verificar o pouco ou nenhum interesse posto na defesa do nosso património. Aconteceu em Santa Leocádia, como poderia ter acontecido em Carapeços se a mesma ocasião se oferecesse.

            A partir daí começaram as notas culturais publicadas em jornais de Barcelos e os livros sobre estas freguesias, situadas na parte mais alta do “mal conhecido” Vale do Tamel. Nesse tempo nem sequer a cultura física tinha grande apoio. Era em terrenos incultos ou semi-abandonados e em campos de jogos particulares ou das freguesias vizinhas que os amigos da bola podiam dar o gosto ao pé. Viveu-se no mais completo marasmo, durante muitos anos, até Carapeços ter o seu campo de futebol, cuja história da sua concretização é de todos bem conhecida.

            E no que respeita à cultura?

            Ainda vimos na antiga “Sede” um palco rudimentar com uma parede removível, no propósito de possibilitar o seu alargamento para o adro, quando necessário. (A verga granítica, a servir de banco, ao lado da igreja é o que resta dessa parede). Foi o conhecido Major Rodrigues, no seu tempo, quem mais fomentou ali as representações teatrais.

 Após a inauguração desta Casa do Povo, aqui tiveram lugar algumas esporádicas e populares representações, que pareciam justificar a existência do salão e do palco. Depois foi instalado um televisor que veio transformar o salão em casa de cinema. A seguir voltou tudo a cair na maior apatia.  

            Vamos à prometida explicação.

           

A verdadeira cultura deve abranger o homem todo, na sua tríplice dimensão: humana, cívica e religiosa, sem nenhuma faltar, aliás será manca. Se algo falhar, repito, falha também o homem íntegro. Para a sua maior perfeição teremos de acrescentar à religiosidade de cada um, uma consciente espiritualidade. Mas, restringir tudo apenas à cultura física, será para o mesmo homem extremamente redutor, aproximá-lo-ia da simples animalidade.

            Sendo o Prof. José Fernandes um homem de formação técnica e científica, apaixonado da arte teatral e musical, tornou-se na nossa terra um autêntico paladino da

arte e da cultura, voltada para o homem integral.

            Tenho observado desde a primeira hora, com o maior interesse e atenção o seu trabalho contínuo, persistente e sacrificado, num grande desprendimento e sem alardes, no seio desta comunidade, onde se integrou, voltado para a formação dos jovens.

            Sem esquecer todos os seus colaboradores, que o tem acompanhado desde o início, nem recordar os possíveis desencantos, contratempos e dificuldades inerentes a estes trabalhos, que sempre soube dissimular, chega o momento de expressar a razão do meu grande contentamento.

             Ao vermos tantas pessoas juntas, reunidas num mesmo sentir, aproveitamos esta rica oportunidade,  que nos deu, para:

 

     a) Em primeiro lugar, testemunhar-lhe publicamente a minha maior admiração e estima pessoal pela pessoa e pelo seu trabalho, realizado nesta freguesia, em prol da cultura. Por isso é com o maior contentamento que peço a toda a assistência o melhor apoio e um grande e vibrante aplauso, que abranja os seus colaboradores desde a primeira hora e todos os actores que, durante estes últimos anos, têm proporcionado ao povo de Carapeços momentos inesquecíveis de arte e grande prazer.

O Prof.  José Fernandes, ao assumir a presidência do ACDC e ao criar o TPCzinho, veio acrescentar uma nova dimensão ao futebol de Carapeços, apontando metas e preparando, com confiança, um melhor futuro. Merece os nossos aplausos.                                                                       (Aplausos).

 

b) E, a seguir, com não menor apreço, admiração e alegria, é para mim sumamente grato enaltecer, nesta hora, o Orfeão de Carapeços, recordar a sua arrancada no ano de 1977 e trazer à colação os seus fundadores, quase todos vivos.

 

Manuel dos Santos Fonseca, ao baptizar o grupo, foi o primeiro divulgador do nome primitivo de Carapeços. Sendo o seu único Director artístico, sempre coadjuvado por Carlos A. Ralha  e a cooperação entusiástica e sacrificada dos coralistas da terra e de fora, acompanhei constantemente o Coral Magistroi, com o maior interesse e amizade, mesmo quando parecia ser “persona menos grata”. Por isso posso testemunhar a união e a alegria exuberante existente nos ensaios, convívios, passeios e actuações.

Nas suas deslocações foi um verdadeiro emissário da cultura de Carapeços e Barcelos pelas terras de Portugal e do estrangeiro. E, em Carapeços, sempre esteve presente nas festas e nas grandes celebrações. É lhes devido o meu agradecimento pessoal e da paróquia que represento.

Que as Bodas de Prata, celebradas em 2002, sejam o melhor incentivo para chegar às Bodas de Ouro. São os melhores votos que formulamos nesta hora.

Para o Orfeão e coralistas peço a todos o mais vibrante aplauso.    (Aplausos)

 

     c) Também, que a Fanfarra S. Tiago, com um passado prateado desde 2005, continue a ser um “cartaz vivo e alegre” de Carapeços pelas terras por onde passe, são os nossos votos.

Presente nas celebrações e nas horas festivas desta freguesia merece a ajuda, a admiração e o aplauso de todos vós.     (Aplausos)

 

    d) Onde pára o Rancho Folclórico? Como as árvores não morrem no Outono, mas  durante o Inverno entram em letargia, aguardemos confiantes a Primavera para que ressurja pujante de movimento e alegria a fim de poder animar com as suas danças e cantares as gentes de Carapeços. São os nossos sinceros desejos. Pelo seu passado vivo e alegre os aplausos de todos.     (Aplausos)

 

e) Não compreendemos o motivo do convite para este encontro-reunião ser restringido aos grupos “não religiosos” de Carapeços. Será que o “Coro Paroquial de Carapeços” não é artístico nem cultural?

 

      Permitam-me mais umas considerações:

É o grupo mais antigo de Carapeços. Já, há muito, ultrapassou as “Bodas de Diamante”. Aproxima-se do centenário. Remonta à década de 10 a 20, do século passado. Consta da história escrita de Carapeços, segundo o falecido Major Rodrigues, que foi fundado pelas filhas do Conde de Azevedo, então, moradoras na Quinta da Queirosa, hoje Casa do Néu.

Foram elas quem fundou “um grupo feminino de cantoras, muito apreciado nas festas e nas horas de piedade”, diz-nos o citado Maj. Rodrigues a págs. 111-112, do seu livº. “Retrato da Vida”. Ele próprio foi discípulo “musical” dessas Senhoras.

Desde essa data a família dos Andrades sempre foi das mais predispostas para a música. Ainda agora  os seus descendentes (filhas do Miguel, do Martinho, Mitras, etc., entre outras), marcam presença nos vários coros.

Eram os elementos desse coro quem, nesses tempos, animava os encontros e convívios, onde havia danças e cantares. O Coro Paroquial tem participado, também, em encontros e  festivais de música não religiosa.

Dissemos atrás que a verdadeira cultura deve abranger ao pessoa integral, inclusivé, a sua religiosidade e espiritualidade. Será que a electrónica – equiparámo-la, neste contexto, à religiosidade e à espiritualidade – nada pode acrescentar à simples mecânica.?  São questões para reflexão.

Nesta hora não poderia esquecer, sem injustiça, o nosso Coro Paroquial, mais antigo e tão actual como outro qualquer.

Tantos anos, dias e horas de sacrifícios continuados, nos ensaios para a animação do culto nas festas e na liturgia, merecem, também, a gratidão, o apoio e o aplauso de todos nós.

                                   (Aplausos)

 

E, para terminar, não devemos esquecer o Coro Infantil e a novel Academia Musical. Esperemos continuem a crescer e se integrem na comunidade para que possam dar os seus frutos. São os nossos votos.

 

Quanto ao trabalho literário dos autores da nossa terra será bem consultarem os “sites” de Carapeços. Por nós pouco mais queremos acrescentar. Está quase tudo escrito nos livros e ainda restam umas centenas de exemplares... Nos opúsculos sobre os limites destas freguesias e nos livros sobre a História de Carapeços e de Santa Leocádia procurámos despertar nas pessoas a consciência da sua identidade territorial e colectiva, dar conhecimento das raízes do povo, que somos, e apresentar os documentos que as abonam. E, conhecendo o passado, facilitar a sua caminhada para um futuro  melhor.

 

Esta oportunidade, oferecida pelo Prof. J. Fernandes, foi magnífica por coincidir com  minha passagem do testemunho ao novo pároco, P. Dr. João M. Pinheiro Antunes, o Senhor Abade de Carapeços, e permitir penitenciar-me de possíveis erros ou faltas involuntárias, bem como exortar à cooperação de o todos, com o novo pároco, por esse Carapeços maior.

A cada um as maiores venturas.          

Tenho dito.

  P. Alcino

 
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